247 – O ex-governador Ciro Gomes afirmou que pretende procurar o governo de Israel e o Mossad, serviço de inteligência israelense, para buscar soluções para a crise da segurança pública no Ceará. A declaração, segundo o portal Atitude Popular, foi feita durante uma agenda política e rapidamente repercutiu por defender a aproximação com um dos órgãos de inteligência mais conhecidos do mundo.
De acordo com Ciro, a experiência israelense no combate ao terrorismo e na produção de inteligência poderia contribuir para enfrentar o avanço das facções criminosas no estado. O pedetista sustentou que o Ceará vive uma situação extraordinária e que, por isso, seria necessário recorrer a modelos internacionais de segurança.
Segurança pública entra no centro da disputa no Ceará
A declaração ocorre em um momento em que a violência voltou ao centro do debate político cearense. O estado convive há anos com conflitos entre organizações criminosas, homicídios, ataques a equipamentos públicos e disputas pelo controle de territórios, temas que devem ocupar posição de destaque nas eleições de 2026.
Ao mencionar Israel e o Mossad, Ciro Gomes busca associar sua proposta de segurança pública a modelos internacionais de inteligência. A fala, no entanto, também abre debate sobre os limites legais e institucionais de uma eventual cooperação com órgãos estrangeiros, já que relações internacionais e acordos formais com outros Estados são atribuições da União.
O que é o Mossad
Fundado em 1949, o Mossad é o serviço de inteligência externa de Israel. A agência atua em operações de espionagem, contraterrorismo, contrainteligência e coleta de informações estratégicas para o Estado israelense.
Ao longo de sua história, o Mossad participou de operações conhecidas internacionalmente, como a captura do nazista Adolf Eichmann, em 1960, na Argentina, além de ações de infiltração e monitoramento de grupos considerados ameaças à segurança de Israel.
Sua atuação, porém, está voltada principalmente para questões de segurança nacional, operações internacionais e combate ao terrorismo, atribuições bastante diferentes daquelas exercidas pelas polícias estaduais brasileiras no enfrentamento da criminalidade urbana.
Especialistas veem limites em modelos estrangeiros
Pesquisadores da área de segurança pública observam que experiências internacionais podem contribuir para o intercâmbio de técnicas de inteligência e investigação, mas destacam que a realidade do Ceará tem características próprias.
O enfrentamento às facções criminosas depende de integração entre polícias Civil, Militar e Federal, fortalecimento da inteligência financeira, controle do sistema prisional, combate ao tráfico de armas e drogas e investimentos permanentes em prevenção da violência.
Além disso, qualquer cooperação formal entre instituições brasileiras e órgãos estrangeiros depende do governo federal, por envolver relações internacionais e acordos de cooperação entre Estados.
Aproximação com pautas conservadoras
A defesa de uma aproximação com Israel também simboliza uma mudança no discurso político de Ciro Gomes. Nos últimos meses, o ex-governador intensificou sua aproximação com setores bolsonaristas e lideranças evangélicas, adotando posições que contrastam com parte do discurso que marcou suas campanhas presidenciais anteriores.
Ciro passou a concentrar críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aproximou-se de parlamentares conservadores e ampliou o diálogo com segmentos tradicionalmente alinhados à direita brasileira.
A referência ao Mossad insere-se nesse movimento político. Israel ocupa posição de destaque no imaginário de parcelas do eleitorado conservador e evangélico, enquanto o serviço de inteligência israelense frequentemente é apresentado como exemplo de eficiência em discursos ligados ao endurecimento das políticas de segurança.
Segurança será tema decisivo em 2026
A fala de Ciro reforça que a segurança pública tende a ocupar espaço central na disputa eleitoral cearense. O desafio, entretanto, vai além da adoção de modelos estrangeiros.
O Ceará enfrenta problemas estruturais relacionados à expansão das facções criminosas, às desigualdades sociais, ao sistema prisional e à capacidade de investigação do Estado.
Nesse cenário, propostas de cooperação internacional podem ganhar repercussão política, mas resultados duradouros dependem principalmente do fortalecimento das instituições brasileiras, do investimento em inteligência integrada e da continuidade das políticas públicas de prevenção e combate ao crime organizado.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão