Aquecimento global. Animais marinhos se deslocam em direção aos polos

O aquecimento global está empurrando populações de animais marinhos para zonas cada vez mais distantes do Equador, e cada vez mais próximas das áreas polares. Na foto de abertura, um cardume de robalos, uma das espécies tropicais que estão migrando para regiões mais frias.

A school of snook in Florida.
A school of snook in Florida.
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Por: Luis Pellegrini

Os oceanos, hoje é coisa tristemente sabida, estão cada vez mais quentes. Desde a Revolução Industrial, no início do século 19, até os dias de hoje, a temperatura média deles aumentou de cerca 1 grau centígrado. Muitas projeções da climatologia afirmam que ela subirá mais 1,5 grau até 2050. É lógico e previsível, portanto, que alterações tão radicais das condições climáticas das águas de todo o mundo tenham consequências sobre todos os animais marinhos, do plâncton às baleias.

Tartaruga marinha em migração


O aquecimento global desloca as espécies em direção às zonas polares.

Um novo estudo publicado no site Current Biology explica exatamente como está mudando a vida das espécies oceânicas, e como o aumento das temperaturas  as esteja empurrando cada vez mais em direção aos polos e sempre mais distantes do Equador.

Um século cada vez mais quente

A equipe de pesquisa da Universidade de Bristol (GB) autora da descoberta, partiu de uma consideração bastante simples: existem infinitas provas de que o aquecimento global está provocando efeitos não apenas sobre a abundância de algumas espécies, mas também sobre a sua distribuição geográfica. E visto que estamos falando de um aumento generalizado das temperaturas nos oceanos, Martin Genner, um dos autores do estudo, lançou a hipótese de que esses deslocamentos de populações pudessem ser unidirecionais, e sempre em direção a zonas mais frescas. A equipe analisou as variações nas populações de 304 espécies marinhas no decurso dos últimos 100 anos, para verificar se a hipótese fosse verdadeira. Não é preciso dizer que sim, era verdadeira.

Mariscos nos rochedos


No norte da Nova Zelândia, na região chamada Northland, milhões de mexilhões morreram no último verão, por causa do aquecimento anormal das águas costeiras.

A maior parte das espécies estudadas demonstrou a existências de duas tendências bastante precisas, e com frequência coexistentes, no seio de uma mesma espécie: uma queda numérica das populações que vivem em áreas equatoriais, e um incremento do número daquelas que se dirigem em direção aos polos. Em outras palavras, todas as espécies marinhas estão se deslocando em direção aos polos e abandonando as zonas equatoriais, cada vez mais quentes e difíceis de serem habitadas.

Isso significa que as populações equatoriais de algumas espécies (por exemplo a do pinguim imperador) estejam vivendo uma drástica queda numérica, enquanto outras espécies (por exemplo a do robalo) surjam com frequência crescente mais ao norte, em águas até onde pouco tempo atrás só apareciam raramente.

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