Dinossauros emplumados. Descoberta reforça as teorias da evolução

Boa parte dos dinossauros eram emplumados, inclusive aqueles que não tinham asas e portanto não voavam. As plumas eram usadas para a comunicação entre esses animais.

Boa parte dos dinossauros eram emplumados, inclusive aqueles que não tinham asas e portanto não voavam. As plumas eram usadas para a comunicação entre esses animais.
Boa parte dos dinossauros eram emplumados, inclusive aqueles que não tinham asas e portanto não voavam. As plumas eram usadas para a comunicação entre esses animais. (Foto: Gisele Federicce)
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Por: Equipe Oásis

 

Há anos a ciência quer descobrir por que os dinossauros desenvolveram plumas muito antes de os répteis aprenderem a voar. Estritamente ligadas aos animais de sangue quente, as teorias não sabiam responder a razão de essa adaptação ter aparecido milhões de anos antes dos primeiros animais voadores.

“Até então, a evolução das plumas era considerada uma evolução relacionada ao voo dos animais de sangue quente. Mas eu nunca me senti convencida com essas teorias”, diz a Dra. Marie-Claire Koschowitz, da Universidade de Bonn, na Alemanha.

Ao contrário do que se imaginava, os estudos comprovaram que as plumas se desenvolveram para melhorar a comunicação entre os dinossauros. Koschowitz e sua equipe analisaram as similaridades genéticas dos dinos, de alguns répteis e pássaros. Assim, chegaram à conclusão que os dinossauros possuíam visão “tetracromática”, o que lhes garantia a captação de imagens ultravioletas.

 

 

“Se você olhar a árvore genealógica de um grupo de animais e encontrar uma característica comum entre todos eles, facilmente assumirá que isso sempre esteve presente e que isso poderá se perpetuar em outras espécies”, conta a cientista.

Em entrevista, a paleontóloga falou: “Eu estudei a morfologia da visão geral de cores dos répteis e pássaros e percebi que o tetracromatismo é algo presente em todos os répteis”.

Para a equipe, isso significa que os dinossauros costumavam se comunicar por sinais visuais entre eles. Recém publicada na Revista Science, a pesquisa mostra que o desenvolvimento de grandes e atraentes plumas foi essencial para os dinossauros, inclusive na questão reprodutiva.

Plumas de dinossauros conservadas no âmbar

Um grupo de paleontólogos da Universidade de Alberta, Canadá, acaba de anunciar os resultados de um amplo estudo de várias plumas de dinossauros bem-preservadas por estarem envoltas em âmbar. Os trabalhos, que incluíram amostras de várias fases da evolução das penas, complementam os achados de vários outros cientistas que já tinham sugerido que os dinossauros (alados ou não) possuíam plumagens multicoloridas e às vezes transparentes, do tipo que podemos observar nas aves atuais. Os pesquisadores também apresentaram evidências, com base na pigmentação e na estrutura das penas, de que as penas das aves de hoje podem ter evoluído a partir das plumagens dos dinossauros. Abaixo oferecemos uma galeria de imagens dessas intrigantes plumas preservadas em âmbar.

 

Por muitos ornitólogos considerada um fóssil vivo, a ave cigana, ou hoatsin, quando jovem possui garras nos polegares das asas.

 

O chefe do grupo canadense de pesquisas, o paleobiologista Ryan McKellar, escreveu: “Estas amostras representam fases distintas da evolução das plumagens dos dinossauros. Há plumas filamentosas, oriundas de uma fase precoce (protoplumas), até plumas de estruturas mais complexas, hoje associadas sobretudo às aves mergulhadoras...”

Perguntado se essas descobertas poderiam levar a um cenário tipo filmes da série Jurassic Park, no qual dinossauros podem ser ressuscitados a partir da engenharia genética, McKellar respondeu: “Simplesmente, não. As amostras que temos examinado são extremamente pequenas e não devemos esperar que contenham qualquer material de DNA. O único material genético que foi recuperado a partir de âmbar são fragmentos contidos em pequenos pedaços de tecido muscular de insetos. Contido no interior de peças de âmbar da República Dominicana, esse material data de 17 milhões de anos. Portanto, de animais que surgiram muito depois da era dos dinossauros”.

 

Filhotes emplumados de dinossauros em luta com uma libélula gigante (Ilustração).

 

O que poderemos notar na galeria de imagens logo abaixo é que os pesquisadores estão enfatizando duas peças básicas que, segundo eles, comprovam suas afirmações: a semelhança na coloração da plumagem das aves, e a semelhança de morfologia ou formato. Algumas dessas penas assemelham-se muito às de aves aquáticas mergulhadoras de hoje em dia (e os pesquisadores incluem um exemplo de uma pluma de ave mergulhadora contemporânea, para permitir uma melhor comparação). Outras estruturas, no entanto, mostram plumas que nada têm a ver com as das aves de hoje.

“Em um dos casos, o âmbar contem filamentos ocos regularmente espaçados, cada um dos quais com cerca de 16 micrômetros de diâmetro, mais ou menos o mesmo diâmetro de um fio de cabelo humano. Esses filamentos aparentemente não possuem paredes celulares, e por isso não podem ser fibras vegetais ou aglomerados de fungos”, diz McKellar. “Poderiam ser protoplumas, continua McKellar. Esse tipo de estrutura é geralmente chamado de  “dinofuzz” (penugem de dinossauro).

 

Galeria:

 

 

1. Presa no interior de uma peça de âmbar canadense, junto a um emaranhado de fios de teia de aranha, está esta rebarba de pluma de animal do período Cretáceo tardio. A distribuição dos pigmentos no interior do fragmento sugere que a rebarba era cinza ou negra.

 

2 Numerosos filamentos individuais do período Cretáceo tardio canadense encapsulados em âmbar. Esses filamentos são morfologicamente semelhantes às protoplumas encontradas em fósseis de dinossauros. A distribuição dos pigmentos no interior desses filamentos vai de translúcidos (sem pigmentação) a quase-negros (fortemente pigmentados).

 

3 Secção transversal de uma pluma com filamentos, acompanhada de restos de um inseto do gênero Microphysidae. O enrolamento helicoidal observado em suas bárbulas é diretamente comparável aos enrolamentos encontradas em plumas de aves modernas especializadas em absorver a água. O elevado número de espiras nessa pluma sugere que o animal tinha comportamento de mergulhador. Estruturas similares são também usadas por aves modernas para transportar água para os ninhos.

 

4 Série de seis plumas farpadas inclusas em âmbar do Cretáceo tardio canadense. A distribuição dos pigmentos sugere que essas plumas tenham sido originalmente de cor marrom escura.

 

5 Espiras em bárbulas do Cretáceo tardio canadense. As bárbulas são interrompidas na parte inferior da imagem, sugerindo que parte delas deve ter permanecido fora do âmbar.

 

6 Farpa de pluma branca abdominal de um (Aechmophorus occidentalis), mostrando bárbulas enroladas comparáveis às de espécimes do Cretáceo. Em ambos os casos, a forma de bobina é uma adaptação estrutural que permite  à pluma a absorção de água.

 

7 Esta pluma oclusa em âmbar do Cretáceo tardio canadense mostra algumas indicações da coloração original. A cor da pluma parece ter sido de marrom claro a marrom escuro.

 

8 Visão geral de 16 plumas farpadas em âmbar do Cretáceo tardio canadense.

 

9 Visão geral de seis plumas farpadas pigmentadas do Cretáceo tardio canadense.

 

 

10 Visão geral de uma pluma não pigmentada do Cretáceo tardio canadense, junto aos restos de um carrapato.

 

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