Terceiro turno, não

São Paulo tem problemas sérios e não merece uma eleição pautada por temas como aborto e kit gay

Definidos os candidatos à Prefeitura de São Paulo, diversos analistas passaram a prever, na capital paulista, uma espécie de terceiro turno da eleição presidencial de 2010. De um lado, os tucanos, representados por José Serra; de outro, os petistas, com Fernando Haddad, a nova invenção eleitoral de Lula. E São Paulo, uma metrópole com problemas graves em todas as áreas, seja na habitação, seja na saúde, na segurança ou na mobilidade urbana, passou a ser retratada apenas como uma cidadela a ser mantida pelo PSDB ou conquistada pelo PT. Algo como uma imensa boca de fumo disputada por quadrilhas rivais.

Aferrados a essa estratégia, os dois principais candidatos começaram a se movimentar como se a campanha eleitoral em São Paulo devesse mesmo ser nacionalizada. Haddad se manifestou contra o aborto. E a presidenta Dilma Rousseff nomeou o senador evangélico Marcelo Crivella para seu ministério, para deixar claro que o candidato petista não tem nada a ver com os “kit gays” distribuídos pelo Ministério da Educação nas escolas. Serra, por sua vez, anunciou sua candidatura num evento em que a imagem ao fundo era do outdoor de sua campanha presidencial de 2010. Além disso, afirmou que a disputa em São Paulo é crucial para os destinos do País.

Não. Na verdade, a eleição em São Paulo é importante apenas para o cidadão paulistano. E assim deveria ser tratada. Quem vai melhorar o transporte, oferecer mais creches, aprimorar o ensino e combater as enchentes? Essas deveriam ser as questões.

Tanto o PT como o PSDB já erraram demais no processo de 2012. Os petistas humilharam Marta Suplicy, flertaram com o adversário Gilberto Kassab e agora imploram pela volta da senadora. Os tucanos, mais uma vez, sinalizaram que são um partido que despreza a militância e é comandado por caciques – algo em que o PT também está se transformando.

Pelo andar da carruagem, abre-se espaço para uma terceira via, que esteja disposta a discutir o que realmente importa. Bom cenário para Celso Russomano, que liderou as últimas pesquisas, e também para Gabriel Chalita, que, diga-se de passagem, tem demonstrado mais cacife eleitoral do que Fernando Haddad, a despeito das pressões do PT para que desista da candidatura. E que também não se despreze o palhaço Tiririca, pois São Paulo virou um circo.

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