Cinco motivos explicam por que mortes no Rio cresceram oito vezes em um mês

Problemas na comunicação do governo e na reação inicial ao coronavírus no Rio, e falta de testes em massa são apenas dois dos motivos que fizeram o número de mortes no estado sair de 422 óbitos, em 20 de abril, para mais de 3 mil

Mulher com Covid-19 é atendida  no Rio de Janeiro
Mulher com Covid-19 é atendida no Rio de Janeiro (Foto: Prefeitura do Rio)
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247 - O número de mortes no estado do Rio de Janeiro foi multiplicado praticamente por oito em um período de um mês, ao sair de 422 óbitos, em 20 de abril, para os 3.237 desta quarta-feira (20). São 30 mil casos confirmados, seis vezes o número de um mês atrás, atrás apenas do estado de São Paulo (69 mil).

De acordo com o infectologista Edmilson Migowiski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há um problema na comunicação do governo e na reação inicial ao coronavírus no Rio e no restante do Brasil. A orientação do governo é que as pessoas só procurem o hospital em caso de agravamento do quadro de clínico. 

"Só vai para o hospital se tiver com doença grave. Tanto que 5% dos óbitos correm em casa no Rio. Outros 20% a 25% morrem na UPA. Não dá nem tempo de ir para o hospital. Não é uma educação do Rio", disse ele, que defende uma abordagem precoce e terapêutica feita por médicos, inclusive com remédios na fase inicial. Os relatos foram publicados no portal Uol

Um segundo motivo para o salto assustador na quantidade de mortes é a ocupação de 86% dos leitos de UTIs para Covid-19 ocupados, de acordo com dados da Secretaria de Saúde do Estado do Rio. Até 18 de maio, eram 335 pessoas com suspeita da doença aguardando transferências para unidades de terapia intensiva.

Outra causa do salto nos óbitos são so problemas na gestão da saúde no estado, que teve troca de secretário de Saúde e equipe nesta pandemia por conta de escândalos nas compras de equipamentos para tratamento do coronavírus. Há suspeita de superfaturamento e benefícios a alguns empresários nas montagens dessas estruturas.

O quarto motivo é a alta concentração de pessoas em comunidades pobres e um quinto é a baixa testagem x real dimensão da epidemia. O Rio só teve 30 mil testes de RT-PCR (mais precisos) realizados para coronavírus até a última segunda-feira (18), informou a Secretaria de Saúde do Estado. O número deve ter subido para 32 mil no dia seguinte, pois a capacidade de processar diagnóstico era de 1.800 por dia. E o Rio tem 30 mil casos de coronavírus confirmados. A comparação entre o número de testes e casos confirmados mostra que o estado não faz exames em massa. 

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