‘Os que atacavam o SUS têm que se ajoelhar e pedir perdão’, provoca Lula

Presidente defende o SUS, anuncia R$ 464,8 milhões em entregas na saúde e critica governo Bolsonaro na pandemia

25.03.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às novas áreas do Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos, na Rua Luis Vaz de Camões, nº 111, São Carlos - SP.
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247 – O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (3) que “os que atacavam o SUS têm que se ajoelhar e pedir perdão”, ao defender o Sistema Único de Saúde e anunciar entregas do governo federal na área da saúde durante cerimônia no Palácio do Planalto. O evento reuniu ações simultâneas em saúde, educação e habitação.

Em discurso, Lula fez uma defesa enfática do SUS, criticou setores privados que, segundo ele, tentaram desqualificar o sistema público ao longo dos anos e afirmou que a pandemia de Covid-19 evidenciou a importância da rede pública de saúde. A fala ocorreu durante cerimônia que também incluiu inauguração de campi de institutos federais, entrega de equipamentos para hospitais e unidades de saúde e novas moradias do Minha Casa, Minha Vida.

“Estamos chegando a um momento em que a gente precisa fazer comparações históricas para que as pessoas tenham noção do que era e do que é hoje. Eu tenho a nítida noção, porque fui constituinte quando aprovamos o SUS. O SUS foi muito atacado”, disse Lula.

O presidente afirmou não saber “com que interesse” determinados setores atacavam o sistema público de saúde. Segundo ele, o SUS era alvo de críticas mesmo quando atendia milhares de pessoas diariamente. “Não sei com que interesse alguns setores privados atacavam o SUS como se o SUS não fizesse absolutamente nada correto. Um hospital que atendia o SUS salvava 1 mil pessoas por dia, mas se uma morresse, era aquela que era manchete de jornal para tentar desmoralizar o SUS. Eu não sei com que interesse”, declarou.

Lula classificou o SUS como uma política pública sem equivalente em países populosos e associou a capacidade de resposta do sistema ao trabalho de médicos, enfermeiras, motoristas, faxineiras e demais profissionais da saúde durante a crise sanitária. “O SUS é uma coisa tão fantástica que não tem nenhum país no mundo com mais de 100 milhões que tenha um sistema único de saúde na qualidade do SUS”, afirmou.

Ao falar sobre a pandemia, Lula responsabilizou o governo Jair Bolsonaro (PL) por parte das mortes registradas no país. O Brasil contabilizou mais de 700 mil óbitos por Covid-19, em uma crise marcada por forte pressão sobre hospitais, atraso na aquisição de vacinas e embates entre o governo federal da época, estados, municípios e comunidade científica.

“Quando veio a Covid-19, vocês sabem do desastre do comportamento do governo, dos ministros da Saúde que tinha naquele época, e aqueles que atacavam o SUS têm que se ajoelhar e pedir perdão, porque graças ao SUS, aos médicos do SUS, as enfermeiras, os motoristas, as faxineiras, homens e mulheres que acreditaram no SUS, a gente não permitiu que não morresse o dobro das 716 mil pessoas que morreram, das quais metade foram por causa da irresponsabilidade do governo da época, que negou as vacinas, a pesquisa, a ciência”, disse.

Na área da saúde, o governo federal anunciou entregas e investimentos que somam R$ 464,8 milhões. As ações envolvem fortalecimento da atenção primária, assistência especializada, inovação e infraestrutura hospitalar em diferentes regiões do país, com iniciativas em Campinas e Sorocaba, em São Paulo, Vassouras, no Rio de Janeiro, e Garanhuns, em Pernambuco.

Entre os itens anunciados estão ambulâncias, unidades odontológicas móveis, micro-ônibus para transporte de pacientes, equipamentos para unidades básicas de saúde, hospitais e serviços especializados. O pacote também inclui certificação de hospitais de ensino e ampliação do programa Agora Tem Especialistas.

Lula afirmou que a criação de uma política voltada à ampliação do acesso a especialistas era um desejo antigo. Segundo ele, a dificuldade da população não está apenas na primeira consulta, mas no tempo de espera para exames, diagnósticos e tratamentos. “O Agora Tem Especialistas é um desejo meu de muitos anos. Quando a Dilma foi eleita presidente eu fui a Campinas, estava lá a Dilma, o Aloizio Mercadante, o Alexandre Padilha, e na volta estávamos discutindo o Mais Médicos. Eu falei: ‘muito mais do que o Mais Médicos, o que o povo está precisando é da segunda consulta’”, afirmou.

O presidente citou a demora enfrentada por pacientes para conseguir atendimento especializado e exames de imagem. Para Lula, a fila entre a primeira consulta e a confirmação de diagnóstico pode ser decisiva para salvar vidas. “A gente vai na UPA e tem a primeira consulta, mas eles pedem um especialista e demora 11 meses para marcar. Quando vai no especialista ele pede uma ressonância. Mais 11 meses. E muitas vezes as pessoas morrem sem ter acesso à máquina que poderia dar as informações para salvá-la”, declarou.

Lula também destacou a meta de reduzir o intervalo entre o diagnóstico de câncer e o início do tratamento. Ele afirmou que equipamentos de radioterapia instalados pelo governo em diferentes estados têm padrão tecnológico equivalente ao disponível em serviços de ponta. “Hoje, entre detectar um câncer e começar o tratamento não demora mais que 60 dias. Essas máquinas de radioterapia que estamos colocando em todos os estados é a mesma máquina que se o Trump tiver que fazer radioterapia, vai fazer nela. Ninguém é melhor do que ninguém. Todos têm direito a um tratamento decente nesse país”, disse.

Entre as entregas anunciadas está a Unidade Oncológica Dona Lindu, do Hospital do Amor, em Garanhuns. A estrutura integra o Agora Tem Especialistas, recebeu investimento federal de R$ 73,9 milhões e terá capacidade para realizar cerca de 20 mil atendimentos mensais.

O governo também informou a inauguração do Hospital Universitário Marco Capute, em Vassouras, referência para aproximadamente um milhão de habitantes da região Centro-Sul Fluminense. As ações incluem ainda o lançamento da primeira encomenda tecnológica para desenvolvimento de teste nacional para tuberculose, o credenciamento do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais como Centro de Competência para insumos farmacêuticos ativos e a implantação dos primeiros leitos da Rede Nacional de Hospitais Inteligentes do SUS.

Outro ponto destacado por Lula foi o transporte de pacientes que vivem em cidades pequenas e precisam se deslocar para tratamentos como hemodiálise, radioterapia e atendimento oncológico. O presidente afirmou que o governo está entregando veículos com mais segurança e conforto. “A coisa mais triste para uma pessoa que mora numa cidade pequena, quando tem que fazer hemodiálise, radioterapia, um tratamento de câncer, as pessoas às vezes saem às 3 horas da manhã de uma cidade pequena, numa Kombi velha, num carro sem segurança, vai para aquelas cidades sem nenhuma proteção, não pode levar acompanhante, sofre, às vezes vai vomitando dentro do carro, não tem ninguém para cuidar”, disse.

“Estamos colocando 3,3 mil ônibus e vans com ar-condicionado e com direito a acompanhante para que as pessoas sejam tratadas com respeito neste país de uma vez por todas”, completou.

Lula também anunciou a utilização de 150 carretas para realização de exames de imagem, com foco especial na saúde da mulher. Segundo ele, a proposta é levar diagnóstico para perto da população, evitando deslocamentos longos até grandes centros. “Estamos colocando 150 carretas para fazer todo tipo de imagem que forem necessárias, sobretudo na saúde da mulher. A Janja vai fazer o teste do câncer de mama nessas máquinas para ela perceber que as máquinas são mais modernas, que vai doer menor e ela vai ter mais rapidamente o resultado do exame dela”, afirmou.

“Queremos que as mulheres sejam tratadas como prioridade. Não vamos esperar que as pessoas saiam do interior do país para ir a São Paulo ou Rio de Janeiro. Essa carreta que vai lá onde ela mora tirar imagem dela para fazer o tratamento”, disse o presidente.

Na saúde bucal, Lula voltou a defender o Brasil Sorridente e criticou a falta de acesso de pessoas pobres a tratamentos odontológicos. Ele afirmou que o governo pretende ampliar o uso de unidades móveis e novas tecnologias, incluindo próteses produzidas por meio de escaneamento e impressão 3D. “Não tem mais que me incomoda mais nesse país do que estar num ato público e ver pessoas de 20 ou 30 anos sem dente. E a razão de não ter dente é água, que é de baixa qualidade, é que não tem, muitas vezes, dinheiro para comprar uma pasta e uma escova de dente”, afirmou.

“Nesse país em que os políticos há 30 anos levavam cestas de dentaduras para distribuir nos comícios. Assim era esse país. E resolvemos criar o Brasil Sorridente, para dar ao povo mais pobre o direito de ter uma máquina moderna para fazer tratamento de dente, obturação, canal, limpeza e, se tiver que fazer prótese, não é mais aquele negócio que mete na boca da pessoa e fica empurrando no céu da boca. Agora vai escanear a boca da pessoa e vai fazer a prótese numa máquina 3D. É chique mesmo. Precisamos acabar com essa história que eles pensam que pobre não gosta de coisa boa. Nós queremos tudo de primeira”, declarou.

O presidente também criticou a lógica de que apenas quem paga plano privado teria acesso a bons médicos e bons serviços. Para Lula, os abatimentos tributários vinculados a planos de saúde significam renúncia de recursos públicos. “O rico fala ‘eu tenho um bom plano de saúde, bons médicos porque eu pago’. Não paga porra nenhuma. Ele desconta o Imposto de Renda o que ele paga de plano de saúde. Se ele desconta, quem paga somos nós, que deixamos de receber o dinheiro”, disse.

Ao encerrar a defesa dos investimentos no setor, Lula afirmou que os recursos destinados ao SUS devem ser tratados como investimento, e não como despesa. “O dinheiro da saúde não é gasto, é investimento. É puro investimento. Porque o ser humano saudável produz muito mais, tem muito mais capacidade de dar riqueza a este país”, declarou.

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Cortes 247

4 responses to “‘Os que atacavam o SUS têm que se ajoelhar e pedir perdão’, provoca Lula”

  1. O sr. Continua atacando com as PPPs.

    1. Taí um que “naquela época” da pandemia atacava o SUS, mas que não vai se ajoelhar e pedir perdão.

  2. Enquanto isso no sul, Bambi Leitoso e Tião Enchente, tramam a entrega dos postos de saúde para uma gangue saqueadora do Paranazi… à título de terceirizar e precarizar a saúde da plebe, cujos profissionais da área receberão entre 30 e 40% a menos, para sobrar mais dinheiro para os abutres e a propina dos políticos privateiros…

  3. E viva o SUS. Se o Rachadinha ganhar, com certeza o SUS, a UPA, o SAMU serão “privatarizados” (o pai, Jair, já tinha tentado isso com as UBS em 2020) e o povo vai se f… de verde e amarelo, perdendo e não valorizando tudo o que Lula fez na área de ciência, tecnologia e saúde e atendimento médico.

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