247 – A Polícia Federal identificou indícios de que dois codinomes encontrados em uma lista apreendida na casa do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, seriam referências ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e ao pastor e empresário Márcio Poncio. A apuração faz parte da quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, jogo do bicho e possíveis repasses a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro, segundo informações do jornal O Globo.
A lista foi apreendida em 2022, durante buscas na residência de Adilsinho, e trazia diversos nomes associados a apelidos. A PF chegou à identificação de dois deles após cruzamento de dados com outras informações reunidas na investigação, incluindo registros de pagamentos, doações eleitorais e movimentações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
Segundo fontes da investigação, o codinome “Barba” teria sido atribuído a Rodrigo Bacellar. Já “Pastor” seria uma referência a Márcio Poncio, religioso e empresário ligado ao setor de cigarros. Ambos, assim como Adilsinho, foram alvo de mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.
Na ação deflagrada na quinta-feira (2), os agentes prenderam Márcio Poncio em um flat do hotel Gran Hyatt, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. Bacellar e Adilsinho não foram detidos na operação porque já estavam presos. O ex-presidente da Alerj e o contraventor foram transferidos para presídios federais fora do estado. Segundo a investigação, Adilsinho acumula seis mandados de prisão.
A identificação de Bacellar como “Barba” não teria sido imediata. Os investigadores chegaram a considerar a possibilidade de o apelido se referir a outra pessoa presente na lista, com características semelhantes. No decorrer da apuração, porém, a PF concluiu que o codinome indicaria o ex-presidente da Alerj, preso em 3 de dezembro do ano passado, na segunda fase da Operação Unha e Carne.
A relação com nomes e codinomes foi localizada em uma mesa de cabeceira na casa de Adilsinho. À época da apreensão, o contraventor estava fora do Brasil e, segundo a investigação, cancelou o retorno que estava previsto para o dia da operação policial.
No caso de Márcio Poncio, além da presença do codinome “Pastor” na lista atribuída a Adilsinho, os investigadores apontaram outros elementos de ligação. Um deles seria o fato de uma pessoa do ramo de cigarros ter trabalhado para os dois. Haveria ainda um terceiro motivo para a suspeita, que não foi revelado pelas fontes para não prejudicar o andamento das investigações.
A lista apreendida também mencionava o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, e um delegado da própria Polícia Federal. A quinta fase da Operação Unha e Carne apura a atuação de uma suposta nova cúpula do jogo do bicho no Rio e possíveis conexões financeiras com agentes públicos.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos da medida estava Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
As defesas dos investigados negam irregularidades ou afirmam que ainda não tiveram acesso integral ao processo. Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar negou que ele “tenha atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes”.
A defesa também afirmou que, “conforme extensa documentação acostada aos autos próprios, está cabalmente demonstrado que Rodrigo da Silva Bacellar não possui mínima vinculação com os fatos apurados, sendo certo que a instrução probatória apoiará as conclusões defensivas e comprovará aquilo que há muito é bradado”.
A defesa de Adilson Oliveira Coutinho Filho declarou que “rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos” e disse confiar “no Poder Judiciário e no devido processo legal”. Já a defesa de Márcio Poncio informou que não teve acesso ao conteúdo do processo e, por esse motivo, não iria se manifestar.
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