Rio de Janeiro, 16 set (Xinhua) — O Mercado Comum do Sul (Mercosul) assinou um acordo histórico de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, em inglês), no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, consolidando seu papel como a principal plataforma de integração econômica na América do Sul e expandindo significativamente a rede de acordos do bloco, anunciou o governo brasileiro.
Em comunicado conjunto, os Ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio e da Agricultura do Brasil enfatizaram que a iniciativa, apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforça a estratégia do Mercosul de diversificar mercados, promover o comércio baseado em regras e gerar novas oportunidades para empresas e trabalhadores nos países-membros.
Desde 2023, o Mercosul finalizou três acordos importantes: o acordo de livre comércio com Cingapura, o acordo de associação com a União Europeia — com assinatura pendente até o final do ano — e o acordo assinado nesta terça-feira com a EFTA, composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Juntos, esses pactos representam um aumento de 152% no fluxo comercial do bloco coberto por preferências tarifárias, a maior expansão de sua rede de acordos na história.
O Mercosul também pretende concluir em breve as negociações com os Emirados Árabes Unidos, retomar o diálogo com o Canadá e fortalecer os tratados existentes com o México e a Índia, entre outras áreas. “A política comercial do bloco está comprometida com valores como multilateralismo, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional”, enfatizou o comunicado oficial.
O acordo Mercosul-EFTA, concluído em julho passado, reúne dois blocos que, juntos, representam quase 300 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto de mais de US$ 4,39 trilhões. Em 2024, o comércio bilateral atingiu US$ 7,14 bilhões, com exportações brasileiras totalizando US$ 3,09 bilhões e importações totalizando US$ 4,05 bilhões.
Uma vez em vigor, aproximadamente 99% das exportações do Mercosul serão isentas de tarifas nos países da EFTA, ampliando o acesso dos produtos do bloco aos mercados europeus de alta renda. O pacto também visa estimular investimentos e serviços, fomentar alianças tecnológicas, fortalecer cadeias produtivas e gerar benefícios concretos para produtores, consumidores e trabalhadores.
Após a assinatura, cada país signatário iniciará os procedimentos internos para incorporar o acordo à sua legislação, etapa necessária para sua plena implementação, indicaram as autoridades do Mercosul.
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