Pré-candidato do PSTU propõe mobilizar 1 milhão de reservistas para possível guerra com os EUA

Hertz Dias também defendeu a escala 4×3, a estatização de setores estratégicos e criticou o “Escudo das Américas”

Hertz Dias, pré-candidato do PSTU
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247 – Professor de história, rapper e pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Hertz Dias apresentou as principais propostas de seu programa para as eleições de 2026. Em entrevista concedida à Sputnik Brasil, o dirigente partidário defendeu mudanças na política de defesa, na economia e na legislação trabalhista, além de fazer críticas à política externa dos Estados Unidos e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre as propostas que mais chamaram atenção está a criação de uma força de reservistas inspirada no modelo suíço. Segundo o pré-candidato, o Brasil deveria transformar parte de seus cerca de 1,3 milhão de reservistas em uma reserva popular permanente, preparada para atuar em situações de conflito ou emergência.

“Nós temos que criar uma estratégia para fazer com que os reservistas do Brasil se transformem numa reserva popular ativa, igual é, salvo engano, na Suíça. […] Nós queremos que os Estados Unidos pensem uma, duas, dez, cem vezes antes de pensar em invadir o nosso país”, afirmou.

A proposta é apresentada por Dias em um contexto de preocupação com a política de segurança dos Estados Unidos na América Latina. O dirigente citou a recente operação militar norte-americana que resultou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, como um fator que justificaria o fortalecimento da capacidade defensiva brasileira.

Ele também mencionou pesquisa da Genial/Quaest segundo a qual 58% dos brasileiros manifestaram receio de que Washington pudesse realizar uma ação semelhante contra o Brasil.

Críticas ao “Escudo das Américas”

Durante a entrevista, Hertz Dias criticou a iniciativa denominada “Escudo das Américas”, coalizão militar e de segurança lançada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em março de 2026. O programa prevê cooperação em inteligência e operações contra organizações criminosas transnacionais.

Embora Brasil, México e Colômbia tenham ficado fora da aliança, o Departamento de Estado norte-americano classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas globais especialmente designadas”. A medida abriu caminho para sanções econômicas contra pessoas e empresas acusadas de colaborar com essas organizações.

Na avaliação do pré-candidato do PSTU, PCC e CV não deveriam ser enquadrados como grupos terroristas.

Para ele, essas organizações possuem finalidade econômica e deveriam ser compreendidas como “organizações burguesas”, e não como movimentos motivados por razões políticas ou étnicas.

Dias também voltou a defender a descriminalização do consumo de drogas e criticou a Lei de Drogas de 2006. Segundo ele, a legislação amplia a margem de interpretação das autoridades policiais na diferenciação entre usuários e traficantes, produzindo impactos desproporcionais sobre a população negra.

Jornada 4×3 e estatização de setores estratégicos

Na área econômica e trabalhista, o pré-candidato propôs substituir a atual escala de trabalho por um modelo de quatro dias de trabalho e três dias de descanso (4×3).

Além disso, defendeu a estatização, sem indenização, de empresas dos setores de energia, petróleo e mineração, bem como a realização de uma ampla reforma agrária.

Hertz Dias também criticou a estratégia do governo federal para a exploração das terras raras — minerais considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia. Segundo ele, o país deveria ampliar o controle estatal sobre esses recursos estratégicos.

Avibras como exemplo de mobilização

Outro tema abordado foi a situação da Avibras Aeroespacial, tradicional fabricante brasileira de equipamentos militares sediada em Jacareí (SP). Dias afirmou que a longa greve realizada pelos trabalhadores foi determinante para preservar a empresa.

“Foram quatro anos de greve heroica, a maior greve da história do país, e obrigou a recuperação financeira da empresa. […] A Avibras é uma empresa extremamente estratégica para a defesa da soberania do país”, declarou.

Ele atribuiu o resultado da mobilização à atuação do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. O pré-candidato também citou como exemplo de mobilização popular a ocupação realizada por indígenas em Santarém (PA), que antecedeu a revogação do decreto que previa a concessão de hidrovias na região amazônica à iniciativa privada.

Divergências com outras forças da esquerda

Durante a entrevista, Hertz Dias respondeu às críticas feitas pelo historiador e pré-candidato a deputado federal Jones Manoel (PSOL), que havia afirmado que as candidaturas da esquerda seriam “todas iguais”.

O dirigente do PSTU rejeitou essa avaliação e destacou diferenças programáticas entre os partidos. “Primeiro que o Jones comete um erro gravíssimo quando ele tenta colocar a responsabilidade na chamada esquerda radical, [dizendo que] a gente não está unificado. […] O Jones está apoiando o Lula no primeiro turno. Então não é responsabilidade nossa”, afirmou.

Segundo Dias, o PSTU mantém divergências tanto em relação ao PSOL quanto ao governo Lula. Entre os exemplos citados estão a política fiscal do Executivo e o volume de recursos destinados ao agronegócio por meio do Plano Safra. “Governar com o PT hoje significa, sobretudo no primeiro turno, governar com arcabouço fiscal”, declarou.

Críticas a Bolsonaro

Ao comentar a disputa presidencial de 2026, Hertz Dias também fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O dirigente do PSTU associou o parlamentar à condução da pandemia durante o governo de Jair Bolsonaro e mencionou estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), segundo o qual aproximadamente 95,5 mil mortes poderiam ter sido evitadas caso a compra de vacinas tivesse ocorrido mais rapidamente.

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Cortes 247

2 responses to “Pré-candidato do PSTU propõe mobilizar 1 milhão de reservistas para possível guerra com os EUA”

  1. É necessário mobilização contra o imperialismo, devemos nos unir a Rússia e a China para fazermos frente ao império genocida e criminoso.

  2. Avatar de Joaão Alguém

    O “catedrático revolucionário”, vai comandar a “guerra” pelo zap zap da ‘Meta”, o “Faceboock” e o “Google” Messeger… Utilizando alguma IA do “Vale do Silício”, um Smartphone da Apple e o “Windows” da Microsoft…
    Talvez, mande encomendar alguns mísseis “Patriot” e “caças”, equipados com tecnologia e motores sob licença do Pato Donald… Talvez, até o “Ilon Musky” forneça alguns satélites de comunicação para o “exercito da salvação” do dom quixote tupiniquim…

    É cada um que me aparece… Tô dizeno… Capaz até de se eleger…

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