Opinião

Cunha não tem votos para derrubar Dilma. Dilma não tem votos para derrubar Cunha

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A campanha pelo impeachment da presidente Dilma prosperou enquanto a oposição acreditou que prevaleceria o rito definido por Eduardo Cunha, segundo o qual por maioria simples o plenário da Câmara dos Deputados poderia dar o start no processo.

Cunha blefou (pois sabia há muito tempo que é inconstitucional) e a oposição comprou o peixe podre, sem perceber o seu estado de putrefação.

Quando um ministro do STF deu um chega pra lá nessa pretensão, lembrando que um processo dessa envergadura só poderia ser aberto com maioria qualificada (2/3), Cunha tirou o time de campo.

Garantir maioria simples ele podia (afinal, foi eleito assim presidente da Câmara), mas 342 votos ele não tinha, não tem e não terá.

Bom, já que é assim, já que ele perdeu o poder de derrubar a presidente, por que o governo não vai pra cima dele e o derruba (motivos não faltam), e assim corta o mal pela raiz?

Porque, para derrubá-lo, Dilma precisaria de maioria simples no plenário, o que ela não tem – como temos visto ad nauseum nas votações da Câmara.

Ora, se Cunha não tem votos para derrubar Dilma e Dilma não tem votos para derrubá-lo, se um não pode derrubar o outro, o melhor que eles têm a fazer é entrarem num acordo: Dilma não derruba Cunha e Cunha não derruba Dilma.

Mesmo porque o PT pode não ter votos no plenário, mas os tem no Conselho de Ética para salvar Cunha.

Além disso, um processo de impeachment todo mundo sabe como começa e ninguém sabe como termina, no tsunami até Michel Temer poderia ser tragado e então o único vencedor dessa guerra seria a oposição. Seria Aécio.

E, aqui entre nós, o que Cunha e o PMDB teriam a ganhar se Aécio assumisse o poder (eleito numa nova eleição)?

Com o PT, bem ou mal, o PMDB divide o poder, perde aqui e ganha ali, mas se o PSDB assumir a presidência vai dar ao PMDB (do qual se originou) uma grande banana. É por isso que não haverá impeachment da presidente nem cassação de Cunha.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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