Opinião

O setor industrial e o governo golpista

O que pretende Temer? O presidente interino, tão diligente e atencioso com os interesses da FEBRABAN, nomeando banqueiros para o ministério da Fazenda, para o Banco Central e para as suas diretorias não foi capaz de nomear alguém sensível às demandas da indústria

“A indústria é um setor que eu tive pouca afinidade, não obstante eu tenha sido contador de indústria no início da minha carreira” (Bispo Marcos Pereira, novo ministro da Indústria e Comércio do governo golpista)

Tenho absoluta convicção que o afastamento da Presidente Dilma Rousseff foi mais um ato de um Golpe de Estado, o qual atenderá: parcialmente os interesses que a FIESP representa, integralmente os da FEBRABAN, as aristocracias urbanas – as quais apropriaram-se do Poder Judiciário e do Ministério Público e interesses e relações impublicáveis de natureza transnacional e nada republicanos, mas não vou me alongar nesse tema.

Por que atenderá apenas parcialmente as demandas do setor industrial? Justo a indústria? O setor foi desavergonhadamente um dos principais promotores do golpe, escudado no seu pato amarelo ridículo e nas declarações medievais do presidente da FIESP.

Mas para desespero dos lacerdistas da indústria o governo golpista nomeou um bispo para o ministério do desenvolvimento, Indústria e Comércio, mais um personagem do folclore nacional, alguém que confessa não ter afinidade com a indústria.

O que pretende Temer? O presidente interino, tão diligente e atencioso com os interesses da FEBRABAN, nomeando banqueiros para o ministério da Fazenda, para o Banco Central e para as suas diretorias não foi capaz de nomear alguém sensível às demandas da indústria. O curioso é que o tal bispo afirma que tem conhecimento limitado em relação ao que foi feito na pasta até o momento e que não pretende fazer grandes mudanças.

Bacana, não é?

Mas o fato é que esse senhor receberá a pasta num momento positivo, pois a balança comercial registrou em abril deste ano superávit de US$ 4,861 bilhões, melhor resultado para meses de abril desde o início da série histórica, em 1989 e a projeção de instituições financeiras para a inflação este ano foi reduzida pela oitava semana consecutiva.

A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para esse ano passou de 6,98% para 6,94% e para 2017, a projeção foi reduzida de 5,80% para 5,72%, no quarto ajuste consecutivo.

Os números não são algum “blog sujo” ou de “economistas comunistas”, mas do Boletim Focus, que é divulgado às segundas-feiras pelo Banco Central (BC). Ele traz projeções de instituições financeiras consultadas semanalmente sobre os principais indicadores da economia.
Mas voltando à indústria temo que no mês, a exportação alcançou cifra de US$ 15,374 bilhões, crescimento de 1,4%. As importações totalizaram US$ 10,513 bilhões. Sobre igual período do ano anterior, as importações registraram queda de 28,3%, e se mantiveram estáveis sobre março de 2016.

Nos primeiros quatro meses do ano, o saldo comercial acumulou superávit de US$ 13,249 bilhões, revertendo o déficit alcançado em igual período de 2015, de US$ 5,059 bilhões. Trata-se de um superávit expressivo, o maior da série histórica, evidencia um aumento de volumes bem maior do que a média mundial.

O problema segue sendo a atividade econômica, ainda sob efeito da onde de pessimismo e do caos publicado.

Fica o registro.

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