A deputada estadual Ediane Maria Nascimento (PSOL-SP) acionou o Ministério Público do Trabalho de São Paulo contra a influenciadora Viiih Tube e o empresário Eliezer em razão do reality show criado pelo casal envolvendo funcionários da residência. A iniciativa da parlamentar ocorre após a repercussão negativa do projeto nas redes sociais e levanta suspeitas sobre possíveis violações de direitos trabalhistas.
Segundo informações publicadas pelo portal UOL Splash, a ação foi protocolada na terça-feira (1º) e pede a investigação da dinâmica do programa, além da suspensão imediata da atração.
De acordo com a representação, o reality — intitulado “As Patroas” — reúne cerca de 11 empregados domésticos da casa dos influenciadores, que participam de provas e desafios em troca de prêmios em dinheiro, motocicletas e outras recompensas. A deputada argumenta que o formato pode configurar “assédio moral organizacional” e questiona a legalidade da exposição dos trabalhadores em ambiente de competição.
No documento, a parlamentar também levanta dúvidas sobre a voluntariedade real dos participantes, afirmando que não há comprovação clara de consentimento formal nem registros detalhados de horas extras relacionadas às gravações. Outro ponto citado é a alteração da rotina de trabalho dos funcionários, que estariam submetidos a mudanças de jornada com promessas de “regalias”, como redução de expediente.
A representação ainda aponta possível uso comercial da imagem dos trabalhadores em plataformas digitais monetizadas, como YouTube e redes sociais, sem contratos específicos que garantam compensação adequada. Para a autora da ação, os prêmios oferecidos poderiam mascarar pagamento por trabalho extraordinário e cessão de imagem, o que exigiria apuração mais rigorosa das autoridades competentes.
A deputada solicita a abertura de inquérito para investigar as condições do reality e, caso sejam confirmadas irregularidades, a suspensão do projeto e a responsabilização dos envolvidos.
Após a repercussão, o reality “As Patroas” chegou a ser retirado do ar poucas horas após sua publicação inicial, diante das críticas recebidas nas redes sociais. O episódio ampliou o debate público sobre limites éticos e trabalhistas em produções de influenciadores digitais envolvendo pessoas em situação de subordinação profissional.
Nos últimos dias, funcionários ligados ao casal também se manifestaram publicamente em defesa da iniciativa, afirmando que participaram de forma voluntária e que teriam sido bem tratados durante as gravações, o que adicionou novas camadas à controvérsia em torno do caso.
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