Opinião

João Dólar Jr. proíbe João Dólar Jr.

João Doria Jr, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo
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Getúlio era “Seu Gegê”. Depois da renúncia, Jânio virou “Fujânio”. Carlos Lacerda era “O corvo”. Adhemar de Barros, o “Rouba, mas faz”. Juscelino, o “Pé de Valsa”. Collor, o “Caçador de Marajás”. Alckmin é o “Picolé de Xuxu”. Temer é o “Mordomo de filme de terror”. Maluf originou um verbo: malufar.

Todos os políticos sempre tiveram apelidos, faz parte da tradição política brasileira.

Não é um bom sinal para a democracia a Justiça Eleitoral tirar do ar e multar o autor da página “João Dólar Jr.”.

Afinal, o artigo 5º. da constituição, que garante a liberdade de expressão continua em vigor.

Ou não vigora durante os períodos de campanha eleitoral?

A sátira é uma válvula de escape que não pode ser fechada.

É saudável os súditos rirem de seus senhores.

É humano e absolutamente imprescindível ao bom funcionamento de todo o sistema.

Os brasileiros nunca abandonaram a sátira, nem mesmo nos períodos mais negros das ditaduras.

Em vez de processá-lo, Dólar Jr. deveria agradecer ao autor da página por aproximá-lo do povo, torná-lo mais popular e para mostrar sua generosidade deveria contratá-lo para sua campanha. Porque o que ele fez nenhum marqueteiro de Dólar Jr. conseguiu.

O apelido humaniza o político.

Ademais, o apelido não foi inventado, tem uma história.

Depois de breve convivência com os tucanos, seu pai, um baiano que foi deputado federal e criador do Dia dos Namorados, introduzido no ninho por Franco Montoro na pré-história do PSDB, ganhou o apelido de João Dólar.

Por algum motivo deve ser.

Mas não sei qual foi.

Nada mais justo que o filho herdar o apelido e virar João Dólar Jr., em memória do pai e em homenagem à fortuna que amealhou.

Não sei porque ele tenta esconder na campanha que é multimilionário.

A sua declaração de bens é pública, beira 180 milhões de reais.

Ele deveria ter orgulho de seu imenso patrimônio.

E não deveria dar tanta importância a apelidos.

Quanto mais ele tentar proibir o apelido, mais o apelido tem chance de pegar – essa é a regra.

Ninguém ganha o apelido que deseja, tem que conviver com o que lhe dão.

Por mais que João Dólar Jr. tente proibir João Dólar Jr. não vai conseguir.

Ou, pior, vai conseguir propagá-lo mais ainda na clandestinidade.

Da mesma forma que Temer será chamado eternamente de “golpista”, ele será para sempre “João Dólar Jr.”.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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