No último 31 de março, tomei conhecimento da “Proposta de Criação de Rede Nacional Educativa” por parte do governo federal, numa iniciativa que dependia diretamente da articulação entre o Ministério da Educação e da Empresa Brasil de Comunicação.
Seu objetivo é o de “criar uma rede nacional de TV aberta que proporcione a oferta de conteúdos e atividades educativas para estudantes em casa em função do fechamento das escolas pelo (sic) COVID-19”.
Isso, porque “a TV aberta é considerada neste momento o meio mais democrático (o grifo é do documento) de disseminação de atividades educativas devido à sua capilaridade, dificuldades de conectividade e de acesso à (sic) equipamentos pelos estudantes”.
Na divisão de tarefas estabelecida, caberia à EBC a tarefa de veicular durante quatro horas diárias os conteúdos produzidos pelo Ministério da Educação dirigido por Abraham Weintraub, para estudantes do Ensino Fundamental 1 e 2 e do Ensino Médio.
Pelo cronograma que compunha a proposta, a data de lançamento da Rede Nacional Educativa estava prevista para o dia 13 de abril.
No entanto, passadas três semanas, a RNE ainda não foi lançada, não havendo também nenhuma previsão para o seu lançamento, devido ao atraso do MEC de Weintraub.
Este seria apenas mais um caso de inépcia do governo federal não fosse o fato de, mais uma vez, ter sido cabalmente demonstrado que, na ausência de direção central em que se afunda o país, são os arranjos estaduais a tentarem solucionar os problemas não solucionados (antes, potencializados) pelo poder central.
No exemplo da tentativa até agora frustrada de criação da Rede Nacional Educativa pelo MEC/EBC, pelo menos no estado de Pernambuco, a solução já se encontra em curso desde o dia 6 de abril com a formação de um pool de emissoras públicas (a TVPE, a TV ALEPE e a TVU da UFPE) que transmite as aulas preparadas pelos professores do Ensino Médio da Secretaria Estadual de Educação de Pernambuco, de segunda a sexta em horários variados: o EDUCA-PE.
Esse e outros vários exemplos só fazem demonstrar a completa incapacidade do atual governo federal de comandar a nação em tempos normais, imaginem em tempos absolutamente anormais como aqueles que estamos vivendo hoje em função da pandemia da COVID-19.
Nunca imaginei que um dia citaria o atual governador do estado do Rio de Janeiro num texto por mim escrito, mas o farei hoje, quando, em resposta à tentativa de JM Bolsonaro de jogar a responsabilidade pelo estado de coisas catastrófico no qual nos encontramos nas costas dos governadores, Wilson Witzel afirmou: “Não vai ser assim, presidente. Assuma sua responsabilidade. Ou sua irresponsabilidade”.
Os 30% que insistem messianicamente em apoiar o homem do “E daí?” deveriam reconhecer na figura dos atuais governadores, com raras exceções, a racionalidade mínima exigida para enfrentar tempos tão incertos.
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