As bactérias que habitam os tumores

Cientistas israelenses revelam que o micro-organismo vive em diferentes tipos de câncer

Bactéria
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Por Fábio de Oliveira, da Agência Einstein – Pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, fizeram o primeiro estudo completo sobre os micro-organismos que sobrevivem dentro de tumores e descobriram que bactérias “moram” em diferentes tipos de câncer, informa a revista New Scientist. Elas integram o microbioma tumoral, que inclui também fungos e outros micróbios. De acordo com a publicação, bactérias já haviam sido encontradas em tumores no intestino e em outros tecidos do corpo que são rotineiramente expostos a micro-organismos. 

Liderados pelo cientista Ravi Straussman, o time, que teve o trabalho publicado no periódico científico Science, analisou mais de 1.500 amostras tumorais coletadas de pessoas com câncer nos ossos, cérebro, ovário, mama, pele, pâncreas e pulmão em nove centros médicos de quatro países. Segundo a New Scientist, eles encontram bactérias em tumores de todos os tipos de câncer, mas em diferentes graus. Mais de 60% dos tumores ósseos, mamárias e pancreáticos testaram positivo para DNA bacteriano, contra 14% dos melanomas, por exemplo. 

Foram encontras 528 espécies de bactéria. Uma mistura de diferentes gêneros foi identificada em cada tipo de tumor – os de mama foram os que hospedaram a maior variedade do micro-organismo. Ainda não se sabe por que tipos diferentes do micróbio colonizam tumores diversos, mas fatores ambientes podem explicar essa questão. De acordo com o estudo, os tumores pulmonares de fumantes apresentaram a tendência de ter bactérias que decompõe compostos químicos do tabaco. 

A presença de bactérias em tumores ainda é uma incógnita. Elas podem contribuir para o crescimento tumoral ou simplesmente acham mais fácil invadir tumores, indaga Ravi Straussman. Caso seu papel nessa história seja elucidado, talvez seja possível tratar o câncer manipulando o microbioma tumoral, diz o cientista. Sem contar que isso também pode melhorar a resposta a terapias já existentes. A equipe de Straussman descobriu que bactérias específicas alteram a reação do tumor à imunoterapia. Uma maior compreensão dessa conversa cruzada entre bactérias tumorais e imunidade tumoral será aproveitada no futuro para otimizar essa opção terapêutica, finaliza o especialista. 

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