Enquanto especialistas discutem se Putin invadiu ou não a Ucrânia, a população de Kiev, que acordou às 5 da manhã escutando explosões de mísseis, está fugindo para um dos 4500 pontos que podem ser usados como abrigos anti-aéreos, tais como passarelas subterrâneas, porões e estações de metrô, formando filas em caixas eletrônicos, lotando supermercados, enfrentando congestionamentos insanos para fugir da capital enquanto é tempo. Ou seja: o caos.
A memória de 1941, quando Hitler bombardeou Kiev, ainda está viva.
Toda a Ucrânia, menos Donetsk e Lubansk, está sob estado de emergência e lei marcial por 30 dias. Ninguém tem garantia de nada. Os militares é que mandam, acima dos civis.
A jornalista Natalia Gumeniuk, que mora em Kiev e é correspondente de guerra, logo ao ouvir as primeiras explosões avisou o marido para não sair na varanda.
Em depoimento ao site Unian, ela desabafou:
“Foi um ato de loucura de Putin”.
Ainda sob o impacto do ataque em plena madrugada, ponderou que, embora seja difícil comparar alguém a Hitler, não há como ignorar que o pretexto de Putin – proteger russos em território ucraniano – é o mesmo usado pelo carniceiro nazista em 1939 para invadir países vizinhos, o que provocou a Segunda Guerra Mundial.
Também fez um paralelo entre o bombardeio de 1941 – “às 4 a.m.” – com o de hoje – “às 5 a.m.”
Moscou já lançou, em apenas dez horas, 30 ataques com mísseis de cruzeiro Kalibr que atingiram dez cidades no mínimo. Aeroportos e instalações militares são os alvos. Explosões foram registradas também em Kharkiv, Odessa e Kramatorsk. A Ucrânia já derrubou helicóptero russo. Há efetivamente combates entre as forças oficiais da Ucrânia e da Rússia na terra, no mar e no ar.
Mas isso é só o começo de um banho de sangue se essa loucura não acabar logo.
Ainda bem que nenhum país ousou apoiar o ataque russo. Até a China ficou em cima do muro.
Putin contra o mundo.
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