Eu não deveria me espantar com mais nada depois de assistir ao vídeo de 5/7/2022, que mostra um golpe de estado sendo debatido, ao vivo, pelo presidente da República e seus ministros.
Pessoas com sangue nas veias, como diria Lupicínio Rodrigues, gostariam de sumir do mapa depois de serem flagradas num episódio tão vergonhoso e atentatório à nação, mas Bolsonaro não se deixou abater, resolveu dobrar a aposta, convocou um ato a seu favor, ou seja, contra Alexandre de Moraes.
Não precisa haver bandeiras nem faixas contra Moraes para ver que é contra Moraes, já que tudo o que acontece com Bolsonaro é por iniciativa dele.
Numa demonstração de inabalável autoconfiança, hoje ele dobrou a aposta de novo: pediu a devolução do passaporte. A defesa alegou que seu direito constitucional de ir e vir foi ultrajado.
Mas exatamente por ter ultrajado a constituição ele está sendo investigado, e a sua condição de “preso no Brasil” decorre de indícios de que comandou uma tentativa de virada de mesa.
Moraes o proibiu de deixar o país. Apreendeu seu passaporte. Não houve um fato novo para justificar a devolução. Bolsonaro precisa ficar aqui para responder por numerosos crimes, cujos indícios são veementes.
Bolsonaro não quer recuperar o direito de ir e vir.
Quer recuperar o direito de ir e vir e fugir.
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