O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é dado a bravatas. Sua presença no ato desesperado de Jair Bolsonaro – um falatório ao gado no qual o capitão covardemente travestir-se-á de vítima de perseguição – é natural. Caiado não é um conservador civilizado, como tenta parecer, mas um oportunista de direita.
Recordar é viver. No ápice da pandemia, o governador e médico (!) Ronaldo Caiado alinhou-se com o general que atravancava o Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello, na busca de um fato ou factoide que referendasse a argumentação fajuta de que todos os estados deveriam ter isonomia na vacinação contra a Covid-19.
Cogitava-se, então, que o governo baixasse uma Medida Provisória determinando o confisco de toda e qualquer vacina disponível em solo brasileiro, em nome de uma suposta imunização territorialmente igualitária – algo que obviamente seria derrubado pelo Judiciário. A intenção era subtrair do governador paulista, João Doria, a condição de deflagrador da vacinação no país, com a Coronavac.
Numa guerra pandêmica, cabe aos governadores, diante da inação federal, usar as armas de que dispõem para preservar a vida de suas respectivas populações. Caiado não honrou essa prerrogativa, ou pior, atuou contra ela.
De todo modo, a ideia que golpeava a ciência e a vida era natimorta. Não por vontade do governador de Goiás.
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