Opinião

Não haverá “barganha mineral” contra pressão americana

Lula ordena aos Estados Unidos que tirem seu cavalo da chuva

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de Entregas do Governo Federal ao Vale do Jequitinhonha. Parque de Eventos de Minas Novas, Minas Novas - MG.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
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Seu povo e seu subsolo são riquezas inegociáveis de um país. Não se entregam os cidadãos e suas raízes culturais históricas ao domínio de outra nação, tampouco se permite que o estrangeiro explore e leve embora seus tesouros minerais. Quando Lula afirma que ninguém meterá a mão no subsolo brasileiro, comporta-se como estadista e líder de uma nação soberana.

Abriu-se aos olhos de todos uma quarta razão para o tarifaço trumpista contra o Brasil. A primeira é a disposição ideológica do presidente americano de salvar o lacaio brasileiro da cadeia; a segunda, o alinhamento às big techs contra a regulação do seu papel na sociedade; terceira, o temor de que o Brics consolide-se como rede comercial livre do controle americano; e quarta, agora, o desejo de possuir nióbio, lítio e terras raras brasileiras, entre outros minérios.

O painel é intrincado, mas atesta o conhecidíssimo imperialismo dos Estados Unidos, especialmente sob Trump. Talvez seja pertinente a pergunta: quatro frentes escondidas por detrás de um ato sancionatório não seria algo rocambolesco demais? Parece que não. A gritaria por tarifar, mesmo em prejuízo dos próprios Estados Unidos, não se justificaria por si só.

Em reunião com o presidente do Ibram, Raul Jungmann, o encarregado de Negócios da embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, ressaltou o interesse norte-americano em minerais críticos e estratégicos abundantes no Brasil — sobretudo nióbio, lítio e terras raras. São os chamados MCEs, minerais fundamentais para tecnologias de ponta como chips, baterias e turbinas, estratégicos para a indústria americana.

Como se sabe, os Estados Unidos estão preocupados com sua dependência da China em cadeias de minerais. O Brasil, dono de grandes reservas, é visto como alternativa segura que, porém, impõe restrições regulatórias e ambientais ao investimento estrangeiro.

Uma “barganha mineral” aliviaria as pressões comercial e política sobre o Brasil, incluindo os atos contra ministros do Supremo Tribunal Federal? Seria possível, fosse outro o presidente do Brasil, não Lula. O posicionamento imediato do mandatário brasileiro, ao dizer que nas riquezas minerais do país ninguém mete a mão, ordena aos Estados Unidos que tirem seu cavalo da chuva.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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