247 – O advogado-geral da União, Jorge Messias, articulou nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) antes de responder ao ministro Gilmar Mendes sobre a decisão que restringe a tramitação de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte, relata Igor Gadelha, do Metrópoles.
Messias conversou previamente com ministros que vêm colaborando para consolidar apoio à sua indicação ao STF, que será analisada pelo Senado. Entre eles, estão André Mendonça e Nunes Marques, nomeados por Jair Bolsonaro (PL) e atualmente engajados na costura de votos para o atual chefe da AGU.
De acordo com interlocutores próximos ao advogado-geral da União, o objetivo das consultas foi medir o impacto político e institucional antes de publicar a manifestação solicitada por Gilmar. Na noite de quarta-feira (3), a AGU enviou ao ministro um pedido para suspender os efeitos da decisão até que o tema seja analisado pelo plenário virtual, cuja votação está prevista para começar em 12 de dezembro.
Gilmar Mendes havia requisitado a manifestação ainda em setembro. À época, Messias já era cotado para integrar a Suprema Corte, razão pela qual a AGU optou por não se posicionar imediatamente — ausência mencionada pelo decano em seu despacho. A decisão monocrática, que surpreendeu Messias, foi divulgada na manhã de quarta-feira, obrigando-o a se pronunciar rapidamente para evitar desgaste entre senadores.
Aliados do indicado de Lula avaliam que a resposta formal da AGU funciona como um gesto político importante ao Senado, após parlamentares demonstrarem forte insatisfação com a decisão de Gilmar. No entanto, a movimentação de Messias pode ter incomodado setores do Supremo, especialmente o grupo alinhado ao ministro Alexandre de Moraes, principal alvo dos pedidos de impeachment afetados pela medida contestada.
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