Vorcaro pretendia usar IstoÉ para contratar Malu Gaspar a peso de ouro

Diálogos obtidos pela PF, segundo O Globo, indicam tentativa de coagir jornalista e travar reportagens sobre o Banco Master

Siga o 247 no Google Notícias Seguir no Google Notícias Adicione o Brasil 247 como fonte preferencial no Google Apoie o jornalismo independente Apoie o 247

247 – Diálogos obtidos pela Polícia Federal mostram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, tentaram impedir o trabalho da jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo. Segundo reportagem publicada pelo jornal, os dois chegaram a discutir uma proposta milionária para tirá-la do veículo e contratá-la por meio da revista IstoÉ.

As mensagens, extraídas do celular de Vorcaro e em posse da PF, são de março e abril de 2025, período em que o Banco Master já enfrentava a crise que levaria, meses depois, à liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.

De acordo com O Globo, a ofensiva começou após reportagens de Malu Gaspar sobre suspeitas de fraudes, manipulação de preços e dificuldades financeiras do Master. Em uma das conversas, Vorcaro disse que precisava “frear a Malu Gaspar”. Miranda respondeu que iria “revirar a vida” da jornalista.

“Meu time está atrás. Precisamos achar algo”, escreveu o publicitário. “Nem multa na CNH dela encontrei. Filhos novos ainda também. Te deixo ciente, vou achar algo”, completou.

No dia seguinte, após nova reportagem da colunista sobre a situação financeira do Master, Miranda escreveu: “Ela não para”. Em seguida, enviou a Vorcaro dados sobre contas bancárias, rendimento mensal, endereço e informações pessoais da jornalista.

“Realmente, meu amigo, não tem absolutamente nada”, afirmou o publicitário. Em outro trecho, disse que precisava “arrumar uma forma de calar essa mulher”.

Segundo a reportagem, Vorcaro mencionou a possibilidade de fazer uma “proposta milionária” a Malu Gaspar. Miranda sugeriu que a contratação fosse feita pela revista IstoÉ, ligada ao grupo Entre, que também controla a Entre Investimentos. A empresa foi citada pelo Intercept Brasil como ligada ao investimento de Vorcaro no filme “Dark horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Vorcaro respondeu que o próprio Miranda deveria tentar a contratação. À época, o publicitário era CEO do Grupo LeoDias, do qual também chegou a ser sócio. Nas conversas, os dois discutiram salário e valores de luvas contratuais que poderiam ser oferecidos à jornalista como forma de interromper sua produção investigativa sobre o Banco Master.

O caso reforça, segundo investigadores citados por O Globo, um modus operandi atribuído ao grupo de Vorcaro para intimidar jornalistas. Na decisão que mandou prender o ex-banqueiro pela segunda vez, em março deste ano, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou haver indícios de que Vorcaro determinou que se forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para “prejudicar violentamente” o colunista Lauro Jardim, também de O Globo.

Na avaliação de Mendonça, o objetivo seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

As conversas relacionadas a Lauro Jardim envolveriam Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como “Felipe Mourão” e apelidado de “Sicário”. Segundo a PF, Mourão coordenava atividades do grupo “A Turma”, apontado como um “braço armado” de Vorcaro para intimidar adversários.

Em nota, O Globo repudiou a devassa contra Malu Gaspar.

“O GLOBO repudia a devassa ordenada pelo investigado na vida da colunista Malu Gaspar, uma das mais respeitadas jornalistas do país. A ação, como deixa claro a troca de mensagens, visava calar a voz da imprensa e revela um modus operandi do grupo criminoso, que já havia ameaçado de ato violento outro colunista do jornal. Os envolvidos nessa trama de perseguição devem ser investigados com rigor. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”, afirmou o jornal.

A defesa de Thiago Miranda declarou que não teve acesso às mensagens e arquivos citados e, por isso, não poderia se manifestar sobre o conteúdo. Também repudiou o que chamou de “vazamento seletivo” da investigação.

❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.

Cortes 247

Participe da discussão

Acompanhe as
últimas notícias