247 – O próximo leilão de concessão rodoviária no Brasil, marcado para terça-feira (31), deve mobilizar grandes operadores do setor de infraestrutura. O projeto Rotas Gerais, que abrange 735 quilômetros de rodovias em Minas Gerais, é considerado atrativo por apresentar retorno estimado elevado e um modelo financeiro que pode reduzir incertezas relacionadas à demanda de tráfego.
De acordo com análise da XP Investimentos, o certame tende a ser competitivo, impulsionado por indicadores econômicos favoráveis, como a Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada em 13,76%, superior à registrada em leilões federais recentes, que variaram entre 9,21% e 12,33%.
A concessão terá duração de 30 anos e inclui trechos estratégicos, como a BR-251, entre Montes Claros e o entroncamento com a BR-116, além de parte da própria BR-116, conectando Governador Valadares à divisa com a Bahia. Trata-se de um projeto brownfield, ou seja, baseado em rodovias já existentes, o que tende a reduzir a complexidade das obras.
O investimento total previsto é de R$ 7,3 bilhões, sendo que mais da metade deverá ser aplicada até o sétimo ano da concessão. Já os custos operacionais (opex) estão estimados em R$ 5,8 bilhões ao longo do período contratual.
O cronograma do leilão estabelece a entrega das propostas para quinta-feira (26), enquanto a disputa ocorrerá na terça-feira (31). O critério de julgamento será o maior desconto tarifário oferecido pelos participantes. O modelo inclui um mecanismo escalonado de pagamento de outorga adicional, com valores crescentes conforme o nível de desconto, o que, segundo a análise, contribui para evitar propostas excessivamente agressivas.
Mesmo com o risco associado à demanda — já que os trechos ainda não possuem cobrança de pedágio — o projeto apresenta fundamentos considerados sólidos. Entre os fatores positivos estão o perfil de investimentos menos complexo, concentrado em ampliações, e a geração de caixa projetada, com EBITDA robusto desde o primeiro ano.
A expectativa é de disputa relevante entre operadores. A análise indica que a Ecorodovias (ECOR) pode surgir como a principal interessada, uma vez que o ativo se encaixa em seu portfólio e pode contribuir para melhorar sua estrutura financeira. Por outro lado, a Motiva (MOTV) tende a apresentar interesse mais limitado, diante de menor alinhamento estratégico com o projeto.
Além dessas empresas, grupos como 4UM/Opportunity e Vinci, que já participaram de leilões estaduais recentes na região, também podem integrar a disputa, ampliando a concorrência no certame.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão