247 – A crise envolvendo um dos principais aliados do presidente argentino, Javier Milei, provocou uma mudança na chefia de gabinete do governo. O presidente anunciou neste domingo (28) a nomeação de Diego Santilli para comandar a Chefia de Gabinete de Ministros, substituindo Manuel Adorni, que deixou o cargo após admitir inconsistências em sua declaração patrimonial. As informações são da RFI.
A posse de Santilli está marcada para terça-feira (30), conforme anunciou Milei em uma publicação na rede social X. Aos 59 anos, Santilli ocupava o Ministério do Interior desde novembro de 2025 e passa a ser o quarto chefe de gabinete desde o início da gestão Milei, em dezembro de 2023.
Novo chefe de gabinete
Após o anúncio, Diego Santilli afirmou que assume a nova função como “o maior desafio da minha vida” e declarou estar comprometido em dar continuidade ao projeto do governo argentino.
“Assumo o maior desafio da minha vida e me comprometo a continuar o trabalho para que este governo siga fazendo história. Acredito em projetos coletivos, não individuais”, escreveu. Em outra publicação, acrescentou que está disposto a “dar tudo” pelas “reformas estruturais de que a Argentina precisa há décadas”.
Renúncia ocorre durante investigação
Manuel Adorni negou ter cometido qualquer irregularidade tributária em uma carta dirigida ao presidente e divulgada no X. Segundo ele, houve omissão de investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018, período anterior ao ingresso na política, porque havia “poupado na informalidade”.
O ex-chefe de gabinete afirmou ainda que quitará “até o último imposto, até a última multa, todos os juros, tudo o que decorre desse erro”. Paralelamente, a Justiça federal investiga suspeitas envolvendo aquisição e reformas de imóveis avaliados em centenas de milhares de euros.
O episódio mais recente do caso envolve um suposto recibo de compra de roupas de cama no valor aproximado de 5 mil euros. Considerado até então o integrante mais próximo de Milei dentro do governo, Adorni já havia deixado, na semana anterior, a função informal de porta-voz da Presidência.
Caso ganhou força após reportagens
A controvérsia teve início em março, quando reportagens apontaram uma viagem oficial a Nova York acompanhada da esposa, além de deslocamentos de férias realizados em jato privado com familiares. Na sequência, novos vazamentos deram origem à investigação sobre imóveis que não teriam sido declarados nos últimos dois anos.
Até o momento, Manuel Adorni ainda não foi convocado para prestar depoimento no inquérito. Para o analista político Gustavo Marangoni, o episódio representa “uma fragilidade objetiva, mas não necessariamente irreversível”, indicando que os efeitos políticos do caso podem não se refletir automaticamente nas eleições presidenciais de 2027.
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