247 – O candidato de esquerda à Presidência do Peru, Roberto Sánchez, declarou nesta terça-feira (23) que não aceitará o resultado do segundo turno das eleições presidenciais caso seja confirmada a vitória de sua adversária, Keiko Fujimori. A apuração segue em fase final e aponta uma disputa extremamente apertada entre os dois candidatos.
Segundo informações publicadas pelo portal G1, com 99,71% das urnas apuradas, Keiko Fujimori aparece à frente com 50,11% dos votos válidos, enquanto Sánchez soma 49,89%. A diferença reduzida mantém o clima de tensão política no país, mais de duas semanas após a realização do segundo turno, em 7 de junho.
Em pronunciamento, Sánchez acusou as autoridades eleitorais de permitirem supostas irregularidades no processo e afirmou que não reconhecerá um eventual governo liderado por sua adversária.
Sánchez contesta resultado
Ao comentar o andamento da apuração, o candidato fez duras críticas à condução do processo eleitoral e levantou suspeitas sobre os votos registrados fora do território peruano.
“Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, declarou Sánchez.
A acusação é direcionada tanto à Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), responsável pela organização das eleições no Peru, quanto à campanha de Keiko Fujimori. Segundo ele, haveria irregularidades relacionadas aos votos depositados por peruanos residentes no exterior.
Os órgãos eleitorais do país vêm analisando há semanas cédulas contestadas e recursos apresentados pelas campanhas, o que contribuiu para o atraso na divulgação do resultado definitivo.
Questionamentos sobre votos do exterior
Um dos principais argumentos apresentados por Sánchez está relacionado ao desempenho dos candidatos fora do Peru. De acordo com os números divulgados, Keiko Fujimori obteve ampla vantagem entre os eleitores residentes no exterior.
Já dentro do território peruano, Sánchez afirma manter uma pequena dianteira. Para o candidato de esquerda, problemas administrativos e falhas na gestão das cédulas de votação no exterior teriam comprometido a legitimidade desse segmento da votação.
Os votos de peruanos que vivem fora do país representam cerca de 300 mil eleitores. Segundo Sánchez, caso esses votos fossem desconsiderados, ele passaria a ter uma vantagem aproximada de 25 mil votos sobre Keiko Fujimori.
Especialistas rejeitam tese jurídica
A contestação apresentada pelo candidato, entretanto, enfrenta resistência entre especialistas em direito eleitoral. Advogados ouvidos pelo jornal peruano El Comercio afirmaram que a proposta de desconsiderar os votos do exterior não possui respaldo jurídico.
De acordo com esses especialistas, o pedido não encontra fundamento na legislação eleitoral peruana e teria potencial apenas para retardar a proclamação oficial do resultado da disputa presidencial.
Enquanto isso, a campanha de Keiko Fujimori tem adotado uma postura mais cautelosa. Apesar da vantagem registrada na apuração, aliados da candidata afirmam que a reivindicação formal da vitória ocorrerá apenas após a conclusão integral da contagem e da análise dos recursos eleitorais pendentes.
Novo Congresso já tem composição definida
Paralelamente à disputa presidencial, os resultados das eleições legislativas já indicam a configuração do próximo Congresso peruano.
O partido de Roberto Sánchez, o Juntos pelo Peru, conquistou a segunda maior representação parlamentar do país. A legenda garantiu 32 das 130 cadeiras da Câmara dos Deputados e 14 das 60 vagas do Senado.
Já a sigla de Keiko Fujimori obteve o maior número de assentos nas duas casas legislativas. O partido conquistou 41 cadeiras na Câmara dos Deputados e 22 no Senado, consolidando a maior bancada do Congresso que tomará posse após a conclusão do processo eleitoral.
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