Sobe para quase 2 mil o número de mortos em terremotos na Venezuela

Terremotos na Venezuela mobilizam resgates em La Guaira, enquanto ONU estima até 50 mil desaparecidos após tremores de magnitude 7,5

Escombros deixados por terremotos na Venezuela
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247 – Os terremotos na Venezuela deixaram ao menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo novo balanço divulgado nesta terça-feira (30) pelas autoridades do país, enquanto equipes de resgate concentram esforços em áreas devastadas, sobretudo no estado de La Guaira. A informação foi publicada nesta terça-feira (30) pelo jornal Folha de S.Paulo.

O boletim mais recente foi apresentado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, figura central do chavismo e irmão de Delcy Rodríguez, que chefia interinamente o governo venezuelano. Segundo as autoridades, 6.461 pessoas foram resgatadas com vida desde os tremores registrados em 24 de junho.

A tragédia pode ter dimensão muito maior. As Nações Unidas estimam que até 50 mil pessoas ainda possam estar desaparecidas, o que indica a possibilidade de aumento expressivo no número de mortos à medida que os trabalhos avancem em prédios destruídos e áreas de difícil acesso. Na segunda-feira (29), o coordenador humanitário da ONU na Venezuela afirmou que o órgão comprava 10 mil sacos para armazenamento de cadáveres.

Os dois terremotos, descritos como tremores gêmeos, tiveram magnitudes de 7,2 e 7,5 e ocorreram com poucos segundos de diferença na quarta-feira passada. Desde então, foram registradas 609 réplicas. Apesar de causarem medo entre os moradores, os novos abalos não provocaram danos adicionais relevantes, segundo o balanço divulgado pelas autoridades.

La Guaira, próxima à capital Caracas, é o estado mais atingido e concentra as principais operações de busca por sobreviventes, retirada de corpos e atendimento emergencial. A destruição de edifícios, a dificuldade de acesso a algumas comunidades e o alto número de desaparecidos ampliam a complexidade da resposta humanitária.

Em El Junquito, região montanhosa localizada a cerca de 33 quilômetros a oeste de Caracas, moradores relataram a agências internacionais que a presença de autoridades tem sido limitada. Diante da demora no apoio oficial, comunidades locais passaram a se organizar para distribuir alimentos, água e itens básicos às famílias afetadas.

A ajuda internacional começou a chegar de forma mais ampla nos últimos dias. Ao todo, 32 países enviaram apoio à Venezuela, incluindo equipes especializadas em resgate, 400 cães farejadores e doações de mantimentos. O Brasil enviou quatro voos de ajuda humanitária, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

A operação brasileira mobilizou equipes de busca e resgate urbano da Força Aérea Brasileira, bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, seis cães farejadores, técnicos da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e integrantes da Anatel, responsável por apoio na área de telecomunicações.

As aeronaves brasileiras também transportaram um hospital de campanha da Marinha, 48 profissionais de saúde, medicamentos e insumos suficientes para atender cerca de 1.500 pessoas durante um mês. O envio incluiu ainda cem purificadores de água movidos a energia solar, com capacidade de produzir até 5.000 litros de água potável por dia cada um.

O voo mais recente partiu no domingo (28), levando mais 35 bombeiros e equipamentos para uma missão de 15 dias. Com milhares de pessoas feridas, comunidades isoladas e dezenas de milhares de desaparecidos, a Venezuela enfrenta uma das maiores operações de resgate e assistência humanitária de sua história recente.

Entenda

A Venezuela registrou dois terremotos no último dia 24, com apenas 39 segundos de intervalo entre os abalos. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o tremor de maior intensidade teve epicentro na cidade venezuelana de El Guayabo, a 168 quilômetros de Caracas, e ocorreu a 13 km de profundidade.

Terremotos são provocados por rupturas repentinas em falhas geológicas. As placas tectônicas se movimentam lentamente de forma constante, mas o atrito pode bloquear suas bordas. Quando a pressão acumulada supera essa resistência, a energia é liberada em ondas sísmicas, que atravessam a crosta terrestre e causam o tremor percebido na superfície.

De acordo com o USGS, os dois abalos registrados na Venezuela foram classificados como terremotos rasos em razão da profundidade em que ocorreram. Esse tipo de tremor se forma entre 0 e 70 km abaixo da superfície. Os terremotos intermediários ocorrem entre 70 e 300 km, enquanto os profundos se situam entre 300 e 700 km.

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