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Reimont Otoni

Deputado federal (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara

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41 anos, Bodas de Seda do PT

Chegamos aos 41 anos, em meio a outra grave crise política e econômica, agravada por uma tragédia sanitária incentivada pelo próprio necrogoverno. Temos muita luta pela frente

No final de 2020, um casal de amigos completou 41 anos de união que descobri ser Bodas de Seda, o que despertou a minha curiosidade sobre as propriedades deste produto histórico nas relações entre os povos do mundo. Descobri, então, que a seda é seis vezes mais leve do que o aço e, ao mesmo tempo, quatro vezes mais resistente do que o mesmo aço. Força, leveza, flexibilidade, resistência e maciez são as características do material.

Hoje, o nosso partido, o Partido dos Trabalhadores, o PT, completa 41 anos, Bodas de Seda. Nessas quatro décadas, vivemos alegrias, tristezas, crises, conquistas, dores, avanços, milhões de histórias. Enfrentamos o preconceito e inúmeras tentativas de linchamento. Resistimos, sempre.

É simbólico que a data aconteça um dia após o STF negar a tentativa de Sérgio Moro e do Ministério Público de impedir que Lula tenha acesso às mensagens trocadas entre o então juiz e os procuradores da Lava-Jato, que desnudam o que o jornal americano The New York Times classificou de “maior escândalo judicial da História”. É inspirador que a data aconteça um dia após a data de nascimento do lendário Apolônio de Carvalho, o Herói das Três Pátrias, que lutou contra o fascismo no Brasil, na Espanha e na França, e foi considerado o mais gentil e bravo combatente na defesa dos mais empobrecidos, filiado número 1 do nosso partido.

O PT nasceu em meio a uma das mais graves crises da nossa História – a ditadura agonizava, deixando como legado uma inflação de 100% ao ano, desemprego, achatamento salarial, recessão, miséria, censura; o general-presidente misturava um populismo tosco a “piadas” de nojo ao povo (“Eu cheguei e as baianas já vieram me abraçando. Ficou um cheiro insuportável, cheguei no hotel tomei 3, 5, 7 banhos e aquele cheiro de preto não saía”). Contra isso, o povo começava a se organizar e iria retomar as ruas, em defesa de eleições diretas.

Dessa liga surgiu o PT, para defender a democracia, os trabalhadores e o país. Nasceu tendo como principal liderança o metalúrgico Luiz Inácio da Silva, o Lula, que, 20 anos depois, seria eleito Presidente do Brasil, iniciando um ciclo que se traduz em números e conquistas. Lula e Dilma Rousseff, na Presidência do país, fizeram, sim, História.

Nos governos liderados por eles, políticas públicas garantiram o aumento real de 74,33% para o salário mínimo; a taxa de desemprego atingiu à mínima histórica de 4,3%, em 2013 e 2014, em situação inédita de pleno emprego; o acesso de negros e pardos ao ensino superior passou de 6%, em 2000, para 36%, em 2014.  Cresceram os mecanismos de proteção às mulheres, à população LGBTQI, aos jovens e crianças, aos mais empobrecidos.

A lista é longa. Mas escolho um momento que, para mim, melhor simboliza o legado desses primeiros governos do PT e os compromissos do nosso partido; está no vídeo que publiquei ontem, 09/02, no Facebook, em que o Padre Julio Lancelotti lembra da única vez que viu os mais excluídos e invisíveis da sociedade entrarem nos salões suntuosos do Palácio do Planalto, quando o presidente Lula recebeu os moradores em situação de rua e catadores de material reciclável. Nem vou tentar reproduzir a fala do padre, esse grande lutador na defesa dos mais empobrecidos; é preciso assistir o vídeo para entender o que para nós significa inclusão.

Chegamos aos 41 anos, em meio a outra grave crise política e econômica, agravada por uma tragédia sanitária incentivada pelo próprio necrogoverno – a Democracia está sob ataque, o desemprego e o trabalho precário atingem a maior parte da população, os salários são aviltados, sofremos recessão, miséria e censura; o capitão-presidente mistura um populismo tosco a “piadas” de nojo a negros, mulheres, homossexuais (“Tudo é coitadismo”).

Temos muita luta pela frente. Precisamos ocupar todos os lugares que nos cabem e praticar o saudável exercício cotidiano da autocrítica, mas daquela autocrítica que nos faz avançar, que nos faz rever o que deve ser revisto, corrigir as rotas quando necessário; precisamos colocar o nosso bloco nas ruas, com a força, leveza, flexibilidade, resistência e maciez da seda.

Como preconizou o histórico manifesto de fundação do nosso PT, “o avanço das lutas populares permitiu que os operários industriais, assalariados do comércio e dos serviços, funcionários públicos, moradores da periferia, trabalhadores autônomos, camponeses, trabalhadores rurais, mulheres, negros, estudantes, índios e outros setores explorados pudessem se organizar para defender seus interesses”. É tempo de lutar. Sigamos com o povo e as forças progressistas.

Dedicatória - Dedico este artigo à companheira Dilma Rousseff e ao companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, lideranças dessa História. Dedico ainda à companheira Maiara Felicio, vereadora de Nova Friburgo pelo PT, e ao tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Evanilson de Souza, vítimas ontem do racismo estrutural que persiste no Brasil e corrompe a nossa sociedade.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.