A tarefa é eleger Lula

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Lula (Foto: REUTERS/Carla Carniel)


 "Quando nós gargalhávamos com as piadas sobre o Costa e Silva, nós estávamos gargalhando e ele estava fazendo o Ato Institucional número 5. Eu não vejo graça nenhuma [nos discursos do governo Bolsonaro] e vejo como uma ameaça a todas as conquistas e direitos humanos que nós levamos antes, durante e depois da Ditadura de 1964" (Roberto Romano)

 Em 12 de dezembro de 2014 escrevi artigo cujo título era “A direita está de volta?” (https://vermelho.org.br/2014/12/12/pedro-maciel-neto-a-direita-esta-de-volta/) e através dele fiz a seguinte reflexão: “A inação de partidos como PSDB, PMDB, PPS, PV, dentre outros, em relação ao episódio envolvendo o Deputado Bolsonaro me motivou a refletir sobre a seguinte questão: a direita está de volta? Será que Bolsonaro (que sempre considerei uma caricatura patética de uma direita reacionária e praticamente extinta) representa de fato muitos bolsonaros? Será que há muitos bolsonaros no Brasil?”, passados oito anos é possível afirmar que, infelizmente, a direita sempre esteve presente, nos subterrâneos, aguardando o momento para retornar e impor todo seu desprezo pelas instituições, pela democracia e pela participação popular.  

E em 18 de março de 2019, com apenas dois meses e meio de governo Bolsonaro, escrevi um outro artigo que batizei de “O golpe continua. O alvo é o STF (https://www.brasil247.com/blog/o-golpe-continua-o-alvo-e-o-stf), pois,a extrema-direita, através das redes sociais, começou a desacreditar os Ministros (do STF) frente a população, constrange-os, os ameaça com a possibilidade de impeachment e mobiliza os fanáticos seguidores a gritarem histéricos pelo fechamento do STF, tudo com vistas à substituição dos membros da corte; tudo para que o STF legitime o desmonte do Estado, a entrega da seguridade social aos bancos e ao mercado financeiro.   

 Escrevi também que Bolsonaro não precisaria fechar o congresso, o que ele próprio já havia defendido, pois ele o teria sob controle e dócil. Eu nem imaginava a utilização do orçamento secreto como forma de compra de apoios e votos no congresso.

 O que Bolsonaro precisava, e ainda precisa, é de um STF dócil aos interesses que ele representa. Bolsonaro, como todo aspirante a ditador, detesta o povo, sua participação, bem como qualquer forma de debate.  À época eu perguntei ao leitor: como o governo de extrema-direita domesticará os membros do STF?E respondi: não domesticará, tentará substituir e desqualificar os ministros.  

 E foi isso que aconteceu. A extrema-direita, através das redes sociais e do próprio presidente, iniciou uma campanha para desacreditar os ministros do STF frente a população, constrangê-los, ameaçá-los com a possibilidade de impeachment, tudo com vistas a acovardá-los e domesticar a corte, criaram até um slogan “supremo é o povo”. O mesmo método utilizado pelo Nazismo - assistam a minissérie em três episódios “Ascensão dos Nazistas: a estratégia que levou Hitler ao poder” (https://www.youtube.com/watch?v=MMk7six-DLc)

 Mas a corte e os ministros mantiveram-se fiéis ao seu dever constitucional, não se acovardaram e mantiveram a democracia viva.

 Bem, o objetivo dos golpistas de 1964 era garantir maioria a favor do governo e, assim, legitimar as normas criadas pela ditadura, o que foi possível com a nomeação de cinco novos ministros; os golpistas de 2016, da mesma forma, precisam que o STF legitime o desmonte do Estado, a entrega da seguridade sociais aos bancos e ao mercado financeiro em geral.  

 Como os setores progressistas passaram doze anos se distanciando da população, doze anos sem fazer Política fora da amurada segura e controlada da institucionalidade, e de seus gabinetes com ar-condicionado, estão todos gordos e preguiçosos, achando que Lula vai resolver tudo.  

 Senhores e senhoras líderes do campo democrata, sejamos cordatos, Lula, Zé Dirceu, Brizola, Ulisses Guimarães, Covas, FHC, renunciaram à própria vida para servir à democracia, é a nossa vez de fazer algo pelo país.  

 O golpe levou ao STF um ministro indicado por Temer e dois indicados por Bolsonaro, ou seja, os golpistas já têm um quarto da suprema corte, dois deles de extrema-direita. Se Bolsonaro vencer as eleições ele indicará mais dois.  

 A extrema-direita prometeu desconstruir todo o arranjo institucional de 1988 e tem tido muito sucesso nisso. Some-se a esse fato, para mim inegável, o enorme número de deputados e senadores de extrema-direita e de direita eleitos em 2 de outubro.

 O dia 2 de outubro de 2022 revelou a incapacidade do centro democrático e da esquerda em mudarem o rumo das coisas. As eleições de 2018, 2020 e 2022 mostraram que não temos lideranças capazes, além de Lula e de Zé Dirceu - esse alvejado cruelmente pelo golpismo.  

 E me desculpem Haddad, Mercadante e outras “lideranças” dessa cepa, mas o Brasil não precisa de vocês, vocês não lideram ninguém. Não precisamos de burocratas de merda e carreiristas que seguem distantes dos anseios da população, precisamos de gente capaz de superar os desafios, gente que bata recordes, que acredite que o céu é o limite dos guerreiros e que lute contra todas as suas limitações, precisamos do povo, o povo sempre foi a solução.

 Precisamos dos jovens, das mulheres e homens adultos, dos idosos, das crianças, precisamos de povo, pois “vamos precisar de todo mundo”.

 A tarefa agora é eleger Lula e governadores do campo democrático.

 Como? Com humildade, muita humildade e trabalho; mantendo os 48,4% de Lula; ampliando os votos no Nordeste, irmãos do Nordeste nunca precisamos tanto de vocês; diminuindo o estrago causado por uma candidatura “ruim de voto” em São Paulo; mantendo e ampliando os votos em Minas Gerais e buscando, com o coração e com a verdade que trazemos na nossa caminhada, ampliar os votos no Norte, Sul e Centro-Oeste e não bastam as redes sociais ou reuniões em hotéis caros.

Vejam o quão importante é a eleição de Lula. O segundo turno não é apenas “outra eleição”, é a eleição de nossas vidas, trata-se de pôr fim ao delírio golpista e retomar o caminho da democracia, sem mais sustos ou golpes, além de devolver a extrema-direita para o chorume de onde saiu.  

 Não será fácil, mas essa é a tarefa.

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