Os ataques de Geraldo Alckmin a Lula e ao PT na convenção do PSDB estavam anunciados e são óbvios. Com 6% de intenção de votos, o pré-candidato tucano dispara contra Lula buscando tirar votos de Jair Bolsonaro ou crescer na raia do anti-petismo. Já em matéria de propostas para o Brasil, enquanto FHC pediu que o partido tratasse de se “reconectar com a vida”, oferecendo soluções simples e objetivas para os problemas que as pessoas enfrentam, Alckmin prometeu foi “mais do mesmo” que está sendo feito por Michel Temer: privatizações e PPIs, redução do Estado e do gasto público e reformas neoliberais. “Temos compromissos com reformas que vão dar condições para o Brasil voltar a crescer. Sabemos como chegar lá, acreditamos em políticas públicas perenes, e não em bravatas de marketing.” Pessoalmente, defendeu o fechamento de questão a favor da reforma previdenciária, embora saiba que a bancada não fará isso.
Dificilmente Alckmin não será o presidenciável tucano. Baterá Arthur Virgílio em prévias, se o prefeito de Manaus insistir na disputa. Com este discurso de candidato a Temer II, ele piscou para o PMDB e outros partidos governistas que hoje desdenham sua candidatura e flertam com a do ministro Henrique Meirelles, que até o descartou como candidato do governo. Mas atacando Lula com a estridência de hoje, quando disse que ele pretende “voltar ao local do crime” , e prometendo fazer o mesmo que Temer faz, as chances de sedução eleitoral são baixíssimas.
Os votos do eleitorado anti-petista já foram capturados, em grande parte, por Bolsonaro, gerando sua polarização com Lula. Para crescer na raia do centro, restaria a Alckmin investir num discurso de moderação, na promessa de uma pacificação política que permitisse ao país enfrentar os problemas mais urgentes e agudos, e um tal discurso seria mais coerente com sua personalidade. Mas, pela toada da fala na convenção, ele está mais propenso a disputar com Bolsonaro o papel de anti-Lula. Uma aposta arriscada. Primeiro, porque o deputado de extrema direita chegou primeiro e consolidou-se nesta seara. Depois, porque Alckmin não convence no papel de radical.
O discurso que os tucanos precisam treinar é outro. Precisarão explicar o apoio ao golpe, a participação no governo Temer e o quê mesmo fariam de diferente para tirar o pais do buraco, além de dar continuidade à agenda do atual governo.
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