As matrizes econômicas da crise política

Temer é a "não-política" ou a negação da política e como se sabe, sem política séria não há intenção ou gesto para o governo de um país convulsionado como o nosso

Temer durante evento no Palácio do Planalto. 22/9/2016. REUTERS/Ueslei Marcelino
Temer durante evento no Palácio do Planalto. 22/9/2016. REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Ângelo Cavalcante)

Temer é uma bizarrice indescritível e que constrange todo o país. Não há segmento social, econômico ou político que não esteja acabrunhado com a falência plena e latente do deletério governo (?) deste indivíduo.

Se não houver qualquer manifestação da oposição, Temer, ainda assim, cairá; é que não há política, aliás não há qualquer arremedo de política. Temer é a "não-política" ou a negação da política e como se sabe, sem política séria não há intenção ou gesto para o governo de um país convulsionado como o nosso.

O Brasil segue à deriva; a economia acumula bilhões de prejuízos ao dia e nada, absolutamente nada é feito para ativa-la, para produzir formas elementares de integração entre os já dispersos e fragmentários fatores sócio-produtivos.

Trabalhadores seguem sendo eliminados de suas frentes de trabalho a média de trinta mil indivíduos/dia o que em seis meses, acumula em média um valor superior a cinco milhões de trabalhadores jogados nas angústias e tragédias do desemprego.

O empresariado brasileiro, acostumado a benesses estatais de toda ordem, já visualiza o surgimento de um amplo hiato produtivo e que, não por acaso, o impede do acesso a financiamentos e benefícios similares.

As famílias por sua vez, unidade analítica decididamente central para qualquer sorte de análise econômica, avança endividada, com rendas sendo violentamente reduzidas e tendo o acesso a bens e serviços elementares bloqueados por um tipo de crise que, por suas dimensões e variáveis, se converte em instituição psicológica e imaginária a condicionar comportamentos, percepções e sociabilidades.

A direita brasileira, refiro-me, sobretudo, a direita raivosa, irracional, intimista e anti-comunista permanece desavergonhadamente silenciosa e incapaz de produzir uma única análise minimamente coesa e decente.

Nada além do velho ranço odiento e liberal aportado, ainda aportado, na velha cantilena de combate a esquerda e que, sinceramente, só existe no juízo frouxo e crônico desta mesma direita: ela combate certa esquerda ainda influenciada pela guerra fria e nascida no imediato pós-Guerra.

É melancólica, deprimente e desalentadora.

Da parte de cá... A esquerda, sempre trôpega, tenta re-existir sem fazer autocrítica; sem rever formas, métodos e dispositivos de atuação e como sempre, tende a repetir as mesmíssimas burradas e que, nada, nada, contribuíram decisivamente para o atual estado de coisas em que estamos enfurnados.

Acham mesmo que esse capitalismo marginal pode ser reformado? Estão seguros de que é possível qualquer lógica de sustentabilidade com esse padrão de produção abertamente predador e avassalador dos miúdos recursos naturais ainda restantes? Estão certos de que temos algum futuro se não radicalizarmos na implementação de reformas estruturais para esse país de "ponta-cabeça"?

Crise política? Nossa crise politica é a expressão fenomênica de uma lógica econômica absolutamente pervertida e assentada em assimetrias que são intensificadas a cada virada histórica; é a saturação de um modelo sócio-produtivo integralmente superado porque, como o mundo sabe, as bases dessa lógica estão integralmente fragilizadas pela concentração das rendas; pela precarização do trabalho e pelo desamparo social e que põe em risco os próprios rumos do país para os próximos anos

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