Boa notícia: PT já admite Flávio Dino como cabeça de chapa em 2022

"Os aliados históricos PT e PCdoB estão começando a construir um projeto comum, independentemente de quem venha a ser o candidato", escreve Ricardo Kotscho, do Jornalistas pela Democracia. "A esquerda se recoloca no jogo, em outro patamar, num cenário até aqui congestionado por candidaturas de direita, centro-direita e extrema-direita", avalia

Gleisi Hoffmann, Lula e Flávio Dino
Gleisi Hoffmann, Lula e Flávio Dino (Foto: Lula Marques | Ricardo Stuckert)

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia

Há algo de novo – e de bom – acontecendo no campo da oposição neste início de 2020.

Pela primeira vez, em seus 40 anos de história, que vai comemorar agora em fevereiro, o PT admite apoiar um nome de fora do partido para unir a centro-esquerda nas próximas eleições presidenciais.

A boa nova veio de Gleisi Hoffmann, a presidente reeleita para mais um mandato, em entrevista ao jornal Valor:

Depois de afirmar que o PT trabalha com nova candidatura presidencial de Fernando Haddad, Gleisi deixou a porta aberta para uma frente única da centro esquerda:

“Flávio Dino é uma liderança que está se colocando no cenário nacional, é preparado e está fazendo um movimento legítimo. Ele pode ser uma alternativa, nós o respeitamos muito, ele sempre foi muito leal à causa do presidente Lula”.

No Twitter, o ex-presidente Lula negou, no entanto, informação publicada hoje pelo Globo de que teria convidado Dino para se filiar ao PT para disputar a presidência da República em 2022:

“Pelo profundo respeito que eu tenho pelo PCdoB, pelo PT, pelo Flávio Dino e pelo Fernando Haddad, jamais convidaria um membro do PCdoB para se filiar ao PT”.

Até a próxima eleição, muita água e muitas pesquisas ainda vão correr debaixo da ponte das oposições, mas o importante é que os aliados históricos PT e PCdoB estão começando a construir um projeto comum, independentemente de quem venha a ser o candidato.

Com isso, a esquerda se recoloca no jogo, em outro patamar, num cenário até aqui congestionado por candidaturas de direita, centro-direita e extrema-direita.

Ex- juiz que passou em primeiro lugar no mesmo concurso prestado por Moro, ex-deputado federal e duas vezes eleito governador do Maranhão, Flávio Dino já foi filiado ao PT até 1994, quando mudou para o PCdoB.

Lula e Gleisi já conversaram com Dino em São Paulo sobre as eleições municipais deste ano, em que os dois partidos podem formar alianças em cidades-chave com vistas a 2022.

Outro indicador de que o PT poderá fazer uma importante mudança em sua tática política e eleitoral este ano são as conversas já mantidas com o PSOL para uma chapa única no Rio, com Marcelo Freixo como cabeça de chapa e Benedita da Silva como vice.

O nome de Flávio Dino começou a ganhar espaço na imprensa nacional depois de uma entrevista dele no programa Roda Viva, na qual defendeu a libertação de Lula e apresentou os pontos centrais de um programa de governo para a formação de uma frente ampla contra o bolsonarismo.

Sem Ciro Gomes, que já fez sua opção preferencial pela centro-direita, com Rodrigo Maia, ficará mais fácil montar essa frente de centro-esquerda, qualquer que seja o cabeça de chapa.

Vida que segue.

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