Por Helena Chagas, no Divergentes, e para o Jornalistas pela Democracia
Prisioneiro do próprio discurso, o presidente Jair Bolsonaro tem cada vez mais dificuldades para conciliar atos e palavras. Ao mesmo tempo em que festeja os movimentos que foram às ruas contra o Centrão, deixa correr nos bastidores a negociação que deverá dar o comando da Codevasf ao líder do PP, Arthur Lira (AL), até ontem um dos mais hostis integrantes do grupo em relação ao governo. Não por acaso, Lira vem amenizando o tom – afinal, a Codevasf é o sonho de consumo de qualquer político nordestino.
Mas os bolsonaristas não foram às ruas no domingo marchar contra os fisiológicos do Centrão, sob os aplausos presidenciais? Pois é. Nesta manhã, Bolsonaro chamou para um café institucionais alguns dos alvos das manifestações dominicais, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Dias Toffoli. Será que, entre um pãozinho com leite condensado e outro, ele perguntou a Maia o que achou dos ‘pixulecos” exibidos nas manifestações-que-supostamente-não-eram-do-governo-mas-acabaram-sendo depois que deram certo? Saia justa.
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Difícil mesmo será explicar, na narrativa governista, como o Coaf voltou ao Ministério da Justiça mas inviabilizou a reforma administrativa de Bolsonaro – se isso vier a acontecer hoje na votação da medida provisória 870 no Senado. O Planalto tratou de repetir, ontem, que a ordem de Bolsonaro a seus aliados era manter o Coaf onde está, na Economia, para que não se corra o risco de ver a medida “caducar”, ou seja, perder a validade e fazer a Esplanada retornar ao modelito de 29 ministérios – o que seria, acima de tudo, um vexame.
Só que nas ruas os bolsominios reivindicaram o Coaf, e as forças contrárias à suposta orientação do Planalto estão na própria Esplanada. O ministro da Justiça, Sergio Moro, continua cabalando votos de senadores para recuperar o Coaf. O lider do governo, Major Olimpio, também trabalha para isso. Onde está o governo, afinal?
Tudo indica que em lugar nenhum, ao menos enquanto Bolsonaro, com comportamento de biruta de aeroporto, insistir em jogar para várias plateias ao mesmo tempo.
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