A comprovação de que uma falsa denúncia de Pablo Marçal contra Guilherme Boulos alimentou várias semanas de campanha tem muito a ensinar sobre os venenos que envenenam o jogo sujo de nossa vida política, presentes na disputa pela prefeitura de São Paulo.
Bastava uma simples consulta em cartório para demonstrar que o candidato do PSOL foi alvo de uma fraude infantil, a mais bisonha da história das campanhas eleitorais brasileiras em décadas. Isso porque os fatos usados para tentar incriminar Guilherme Boulos envolviam outra pessoa, que sequer era um homônimo — possuía um sobrenome diferente, inclusive.
Ainda assim, o caso foi pauta obrigatória da campanha por semanas, até que, finalmente, a verdade foi reconhecida, numa revelação banal e vergonhosa, expressão da fragilidade dos controles de nossa vida pública. Imagine as conversas de vizinhos, as fofocas nos locais de trabalho — tudo baseado numa mentira.
Desfeita a fraude, cabe perguntar o mais importante: vai ficar tudo por isso mesmo? O caso configura crime de calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal, que consiste em “imputar falsamente a alguém um crime”.
A pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão, além de multa. São punições que sublinham a gravidade do crime cometido, especialmente numa disputa eleitoral.
Eis aí uma boa oportunidade para se debater — a sério — o devastador vale-tudo de nossas disputas políticas.
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