A escolha de Caiado na disputa do Planalto é um aceno de Kassab aos partidos do centrão. Sozinho, seu candidato não tem chance, mas, se conseguir coligações com o centrão, passa a ser competitivo. O PSD foi o campeão nas eleições para prefeito de 2024: elegeu 891 prefeitos. O MDB ficou em segundo, com 864; o PP, com 747, foi o terceiro; o União Brasil, com 578, em quarto; o PL, com 517, em quinto; e o Republicanos em sexto, com 435.
Excluindo o PL, que já tem candidato, os cinco partidos do centrão elegeram 3.515 prefeitos nas 5.569 cidades brasileiras. É um bom começo para um candidato a presidente. Além disso, os cinco partidos somam 230 deputados federais, o que garante um enorme espaço no horário eleitoral. Não se sabe, ainda, quanto tempo caberá a cada candidato, porque não se sabe quantos serão. Mas certamente será mais tempo do que só o PL ou o PT com seus partidos aliados.
Como o centrão — fora o PL — não se decidiu nem por Flávio Bolsonaro nem por Lula, Kassab viu uma boa chance para o seu partido e o seu candidato de direita. Se escolhesse Leite, mais moderado, o centrão não se interessaria. De mais a mais, o PP, o principal partido do centrão, não se empolgou com Flávio e não vai se aliar a Lula. Se tiver sucesso, Kassab vai matar dois coelhos com uma só cajadada, enfraquecendo Lula e Flávio, que também tentam esse apoio. Não é improvável que, sem o apoio do centrão, Flávio caia fora. E Caiado, com o centrão, ameaça mais a reeleição de Lula do que o raquítico e inexpressivo filho de Bolsonaro.
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