Com o chapéu da Previdência, governo faz “cortesia” de R$ 201 bilhões aos empresários

Nos últimos cinco anos, desonerações concedidas pelo governo aos empresários retiraram mais de R$ 201 bilhões dos cofres da Previdência. Reformar para garantir a sustentabilidade do sistema é muito diferente de sucatear

Nos últimos cinco anos, desonerações concedidas pelo governo aos empresários retiraram mais de R$ 201 bilhões dos cofres da Previdência. Reformar para garantir a sustentabilidade do sistema é muito diferente de sucatear
Nos últimos cinco anos, desonerações concedidas pelo governo aos empresários retiraram mais de R$ 201 bilhões dos cofres da Previdência. Reformar para garantir a sustentabilidade do sistema é muito diferente de sucatear (Foto: Ricardo Flaitt)

Entra governo, sai governo, e é sempre a mesma ladainha, a mesma conversa fiada de que a Previdência Social brasileira é deficitária, dá prejuízos e representa um grande problema para o futuro do país. No entanto, os órgãos do governo não divulgam que um dos maiores desfalques na Previdência é ocasionado pela má administração dos recursos e resultado de medidas absurdas, caso das desonerações.

As desonerações são medidas do governo que isentam ou abaixam as tributações previdenciárias de alguns setores produtivos no comércio e na indústria, com objetivo de estimular a produção e de segurar os empregos nos tempos de crise. Mas, na prática, somente os empresários é quem ganham, pois deixam de contribuir para a Previdência e continuam demitindo gradativamente. Ou seja, no final das contas, as desonerações aumentam os lucros dos empresários, não geram empregos e o povo brasileiro, que está vinculado à Previdência, é quem paga as contas.

Para ter uma dimensão do rombo que os governos provocaram com as desonerações, de acordo com a Receita Federal, nos últimos 5 anos, de 2001 a 2015, deixaram de entrar R$ 201,11 bilhões nos cofres da Previdência. Com as desonerações empresariais sobre as contribuições previdenciárias, como sempre acontece na História, o governo faz cortesia com chapéu do povo brasileiro e o seu dinheiro na Previdência.

"Todo governante, diante de uma situação de crise, estagnação da economia e sem ter dinheiro para investir, acaba utilizando os recursos da Previdência", destacou Carlos Ortiz, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados.

Evidente que, com o envelhecimento da população, alguns pontos da Previdência Social devem ser reformados, porém, reformar para garantir a sua sustentabilidade é muito diferente de sucatear.

Os governos continuarão repetindo a mesma conversa fiada de que a Previdência Social, caso não seja reformada, ameaça o futuro econômico do país, mas quem de fato cria o rombo? A quem interessa a "reforma" da previdência nos moldes propostos pelo governo?

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