É entendível a resistência de parcelas de petistas gaúchos à orientação da direção nacional do PT – que, importante dizer, expressa a visão de Lula.
Esses e essas petistas reivindicam, com legitimidade, o respeito às instâncias partidárias e ao processo interno que decidiu pela pré-candidatura de Edegar.
Isso tudo é certo. Porém, é necessário admitir que esses argumentos perdem força quando se sabe que esse processo decisório aconteceu com a distância de quase um ano da eleição de outubro próximo.
É impensável em qualquer tempo, mas é sobretudo ainda mais impensável neste período histórico assombroso, de ameaça fascista, que a definição da candidatura a governador aconteça desconectada da conjuntura eleitoral concreta e em um processo de deliberação alheio à dinâmica nacional e ao tabuleiro eleitoral montado por Lula.
Isso não dá. Não está certo.
Lula não é Deus e deve ser questionado sempre, mas seria um erro tremendo subordinar uma visão local/estadual [“etnocentrismo político”, como classificou Edinho Silva] à prioridade nacional de reelegê-lo.
E há um problema adicional. Sem aliança com o PDT, aumenta o risco de o campo democrático-popular não conquistar pelo menos uma cadeira para o Senado.
A eleição deste ano deverá ser ainda mais acirrada que a de 2022. E a perspectiva de guerra prolongada de Israel e dos EUA contra o Irã representa um potencial de risco relevante para a reeleição de Lula.
Neste contexto atual da guerra pela sobrevivência da democracia e da soberania, a eleição será decidida em milímetros.
Por isso, é preciso construir as melhores chances para a vitória de Lula na batalha eleitoral, mesmo que, para isso, seja preciso um recuo estratégico milimétrico, mas que se mostrará grandioso pela compreensão histórica.
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