Falando pelos cotovelos!

O pleito democrático é exatamente o de garantir espaço, participação e centralidade para todos os segmentos sociais, políticos e econômicos do país. É exatamente esse o artifício que amadurece politicamente a população e as instituições que regem a vida social

Dia desses ele, sempre sincero, soltou que mulheres deveriam ganhar menos porque ao fim, engravidam; histérico, anunciou em plena reunião pública no congresso, da possibilidade de estupro da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS); que o nordeste é só gasto e prejuízo para o país e que, de verdade, nunca valeu nada; que no Maranhão, na exceção do presídio de Pedrinhas, nada presta, mesmo que o atual governo esteja pagando os maiores salários do Brasil para seus professores e promovendo a maior inclusão escolar de toda a sua história.

O deputado Jean Willis (PSOL) segue em permanente estado de vilipêndio promovido por ele e é claro, por seu filho tendo em vista sua condição homossexual; o imbróglio da guerrilha do Araguaia que encarcerou, torturou, dizimou e desapareceu com centenas de pessoas, a maioria dos vitimados eram por sinal, camponeses e moradores da região, segue sem solução e para o dito cujo, o entendimento, a conciliação e a reparação são ignomínias nacionais. Não por acaso, em seu gabinete estava estampado um "quem procura osso é cachorro".

Não dá pra esquecer a louvação feita por esse individuo ao coronel Brilhante Ustra, aquele "distinto senhor" que promovia estupros em série de mulheres com o ingresso de ratazanas em suas respectivas vaginas; inclusive, de mulheres grávidas. Isso mesmo! O infame achou que com isso atingiria a presidente Dilma e, reconheço... De alguma forma, atingiu porque tortura é experimento único, de impossível descrição e onde alma e corpo são seccionados sob a mediação impassível da morte. Mas, sem dúvidas, atingiu todo o país e toda sua gigantesca constelação de minorias, estas frações humanas sempre tão detestadas pelas elites e por suas governanças autocráticas.

Agora, pasmem... No Clube da Comunidade Hebraica, na zona sul do Rio de Janeiro, em espaço privilegiado, ele descarrega contra os valores restantes e que garantem alguma sobrevida para o que restou de público e de democracia neste país para atacar, sobretudo e, principalmente, os negros. Querem saber... Daria para discorrer um roseiral de críticas aos despautérios que essa criatura defeca cotidianamente contra o povo brasileiro.

Mas... Melhor não! O melhor mesmo é identificar que por detrás dessa postura existe um facínora político repressor, burguês, punitivista e cioso, por óbvio, por privatizar as sobras do público brasileiro; sedento por desmantelar de uma vez por todas, as dinâmicas democráticas encetadas principalmente pelos principais movimentos sociais da América Latina aqui atuantes e que lutam dia após dia, pela realização dos direitos fundamentais das pessoas.

É notório que este indivíduo vai mesmo é atacar as minorias da representação política. É muito mais fácil! Queria tanto vê-lo denunciando o latifúndio que inviabiliza meio Brasil com o encarceramento inclusive e, sobretudo, de terras públicas; o sistema bancário que em espantosa liberdade de ação, drena as rendas sociais do país gerando a pauperização imediata do povo brasileiro; os especuladores imobiliários que sabotam as cidades e seus equipamentos urbanos. Mas... É certo que não verei! Isso é coisa para gente séria, para políticos decentes, destemidos e comprometidos com o futuro desse enorme país!

O pleito democrático é exatamente o de garantir espaço, participação e centralidade para todos os segmentos sociais, políticos e econômicos do país. É exatamente esse o artifício que amadurece politicamente a população e as instituições que regem a vida social. Matar, encarcerar massivamente e reprimir são experimentos realizados desde o nosso descobrimento e, como se bem sabe, não deu certo, afinal, somos o mais injusto país do mundo.

Talvez devêssemos seguir em outra direção! A direção que esse banana não ousa tocar! É por, portanto, que iremos e... Chegaremos!


P.S.: Afinal, quem é capaz de convidar alguém de existência tão rasteira, de valores tão desgraçadamente desprezíveis e exatamente, para um espaço conformado por judeus e seus descendentes? Lembrai-vos de Auschwitz-Birkenau, Belzec, Dachau, Sobibór, Ravensbrück, Treblinka, Westerbork, Varsóvia, Malchow e de tantos e tantos outros campos.

Ângelo Cavalcante - economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.

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