Na terça-feira (30), participei de uma grande mobilização em São Paulo pelo fim da escala 6X1, cujo projeto continua parado no Senado Federal, onde o presidente Davi Alcolumbre se recusa a dar-lhe andamento.
É fundamental que muitas e muitas vozes se somem ao movimento e à pressão para que o Senado Federal corresponda à vontade popular. Pesquisa do Instituto Datafolha, assim como outros levantamentos, mostram que pelo menos 70% dos brasileiros e das brasileiras querem o fim da escala 6X1, para que trabalhadoras e trabalhadores possam ter dignidade e direitos básicos como o descanso, estar com a família, lazer, usufruto de esportes e cultura, enfim, ao ócio, que é um direito e uma necessidade dos seres humanos.
E realmente lamento que uma parte importante da chamada grande mídia se alinhe àqueles que pretendem manter a atual escala de trabalho, entre eles políticos de extrema-direita e representantes de grandes corporações empresariais, nacionais e multinacionais. Este alinhamento dá amplo espaço a manifestações bizarras como a de uma diretora da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que se manifestou contra o fim da escala 6X1, alegando que não poderia mais ir ao salão de beleza e ao supermercado nos finais de semana.
Essas pessoas desinformam a população e muitos trabalhadores ficam em dúvida sobre seus próprios direitos e interesses. Não é verdade que o fim da escala 6X1 vá resultar no fechamento de estabelecimentos nos finais de semana. Empresas grandes, médias e pequenas tem condições de se organizarem para respeitar a nova carga horária individual de trabalho diária e semanal e a obrigatoriedade de dos dias de descanso semanal e manterem suas atividades normais. Há inúmeros depoimentos de empresários nas redes sociais que já se adiantaram na implementação da escala 5X2 (ou seja, cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana) e verificaram aumento de produtividade. Além disso, haverá prazo de transição.
No caso dos professores, estamos lutando pela correta implementação da jornada prevista na lei do piso nacional, com garantia de no mínimo 1/3% das aulas dedicadas a formação e trabalhos preparatórios às atividades com estudantes.
Iniciei minha militância sindical e política porque sou trabalhadora desde muito nova e sei que a conquista de direitos e de uma sociedade melhor, mais justa, menos desigual se faz com luta. E a luta pelo fim da escala 6X1 é uma pauta civilizatória, assim como a luta por educação pública de qualidade, pelo fim da violência contra as mulheres, pelos direitos da juventude, da população negra, das pessoas LGBTQIA+. Não há contraposição e não há hierarquia. Todas são importantes e demandam nosso empenho.
Também gostaria de me referir aqui a um episódio ocorrido nesses últimos dias, que foi a revelação de uma carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, dirigida ao senador do PT, Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, na qual Rubio agradece a Flávio por ter colocado sua “equipe de transição” à disposição do governo estadunidense, caso venha a ser eleito.
É mais um inaceitável gesto de subserviência do bolsonarismo ao governo dos Estados Unidos, tentando negociar diretamente com uma nação estrangeira informações sensíveis do nosso país, por meio de uma futura – que tenho certeza, não acontecerá – equipe de transição, tem teria acesso a todos os dados do governo federal e das riquezas nacionais.
Isto ocorre num momento em que o presidente Lula trabalha para reforçar a soberania brasileira, na política, na diplomacia, na ciência e tecnologia, na defesa, enfim, em todos os campos. Uma enorme diferença para o entreguismo do bolsonarista.
Eu quero um Brasil soberano, desenvolvido, justo e igualitário, com o fim da escala 6X1 e mais direitos para a classe trabalhadora. E você?
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com redacao@brasil247.com.br.
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Apoie o jornalismo independente do 247:







Participe da discussão