O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sofreu duas importantes derrotas nos últimos dias. Perdeu pela primeira vez quando pediu sigilo no processo sobre suas contas secretas na Suíça e, de novo, quando o Supremo Tribunal Federal requereu às autoridades helvéticas o bloqueio de R$ 9,6 milhões, alegando que a origem dos recursos é criminosa.
Ainda não foi definitivamente contido, mas isso poderá acontecer em breve, uma vez que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estuda pedir seu afastamento do cargo, sob a alegação de que a presidência da Câmara tem sido utilizada para travar investigações e para protegê-lo. Um pedido semelhante foi apresentado pelo vice-líder do governo, deputado Silvio Costa (PTB-PE).
Enquanto isso não ocorrer, se é que de fato ocorrerá, Cunha terá razão ao dizer que preserva as prerrogativas do cargo. Ou seja: poderá, sim, usar sua caneta para permitir a abertura de um eventual pedido de impedimento contra a presidente Dilma Rousseff, mesmo que sua assinatura possa contaminar, simbolicamente, o processo – chega a ser surreal um impeachment liderado por um político investigado e com quase R$ 10 milhões bloqueados na Suíça.
Cunha atravessa uma tempestade da qual dificilmente sobreviverá. É o capitão de um navio que já faz água por todos os lados. Ainda assim, nos seus últimos dias, ele tem acenado ao governo e a à oposição. Numa quarta-feira, recebe com pompa representantes da oposição, que lhe entregam o novo pedido de afastamento. Na quinta, afirma que as ‘pedaladas’ podem não ser suficientes para um eventual impeachment. Os dois lados evitam confrontá-lo, sem se dar conta de que o naufrágio parece ser inevitável.
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