Folha anunciou a morte do jornal em papel e também revelou seu jogo duplo com o bolsonarismo

"Num texto surpreendente, a ombudsman da Folha revela que o jornal perdeu 80% de seus assinantes impressos desde 2000 e que as assinaturas digitais crescem justamente quando Jair Bolsonaro o ataca. No entanto, o editorial do jornal também apoia o neoliberalismo de Paulo Guedes, o que explica a adesão ao golpe de 2016", diz Leonardo Attuch, editor do 247

(Foto: USP Imagens | Reuters | Ricardo Stuckert)
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A morte do jornal impresso é inexorável. Neste domingo, a ombudsman da Folha, Flávia Lima, revela que o jornal perdeu 80% de seus assinantes em papel desde 2000, quando a internet começou a se tornar mais popular. Nada menos que 350 mil pessoas deram adeus.

A Folha tem hoje 235 mil assinantes digitais e 86 mil em papel, mas a curva de declínio do impresso continua acelerada. Neste ano, a base de assinantes impressos encolheu mais 13,3%.

Embora o digital tenha crescido, isso não resolve os problemas de um jornal impresso, uma vez que a assinatura da edição em papel é quatro vezes mais cara. A decisão racional para os jornais seria encerrar as atividades em papel e fechar seus parques gráficos.

Os jornais, no entanto, não tomam esta decisão porque isso reduziria dramaticamente sua percepção de influência e eles não seriam mais vistos como “o Cidadão Kane do pedaço”. Passariam a ser apenas um site a mais. Grande, claro, mas não mais um quase monopólio.

A ombudsman também conta que o jornal ganhou assinantes nos momentos em que foi mais atacado por Jair Bolsonaro, ou seja, a Folha usa estes atritos para tentar seduzir e atrair mais leitores, vendendo-se como um instrumento “em defesa da democracia”.

Mas o editorial do jornal deste domingo pede a continuidade e até mesmo o aprofundamento do choque neoliberal de Paulo Guedes, o que também deixa claro por que a Folha apoiou o golpe de 2016. A mídia corporativa, na realidade, está numa grande sinuca de bico.

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