Todas as cartas de amor são ridículas e não seriam cartas de amor se não fossem ridículas, já dizia o poeta Fernando Pessoa. E foi com uma delas, endereçada pelo vice-presidente “decorativo” Michel Temer à presidente Dilma Rousseff, que Brasília viveu a semana mais bizarra e deprimente de sua história.
Temer e Dilma se encontraram, juraram ao público que “acertaram os ponteiros”, mas estão em guerra aberta. Uma guerra que passa pela liderança do PMDB e tem como prêmio o comando do País. Se Temer atuou nos bastidores pela troca dos Leonardos (Picciani por Quintão), o governo Dilma trabalha para reverter a mudança – até porque a posição de líder do maior partido no Congresso pode ser decisiva no processo de impeachment.
Enquanto isso, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados foi transformado em ringue de MMA. Teleguiados pelo presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seus aliados sabotam, a cada sessão, os trabalhos que podem levar à sua cassação. Por isso, já se forma um consenso de que Cunha só será afastado por alguma força externa – leia-se Procuradoria-Geral da República e Supremo Tribunal Federal.
No pastelão brasileiro, a semana chegou ao fim com uma cena típica de novela mexicana. Chamada de ‘namoradeira’ pelo senador José Serra (PSDB-SP), a ministra Kátia Abreu, da Agricultura, atirou uma taça de vinho no rosto do parlamentar, que sonha em ser homem-forte de um eventual governo Temer. E mais: disse que ele jamais será presidente por ser “deselegante, descortês, prepotente e arrogante”.
Enquanto isso, o Brasil, já rebaixado pela Standard & Poors, caminha para mais um rebaixamento. Desta vez, o da Moody’s, enquanto o ministro Joaquim Levy pede um mínimo de paz e racionalidade para tentar tirar o País da crise em que se encontra.
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