Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia – “Ser ou não ser, eis a questão”. A mais clássica dúvida existencial da literatura, escrita por William Shakespeare, nos idos de 1600, na peça: “Hamlet”, serve bem ao assombro que cerca a morte da vereadora do PSOL, Marielle Franco, e a de seu motorista, Anderson Gomes. A força de sua atuação como parlamentar, mulher, favelada, negra e lésbica fazem ecoar aos quatro cantos a pergunta: Quem mandou matar Marielle?
No clássico do bardo, o fantasma do pai de Hamlet, vítima de um complô, aparece – primeiro para a guarda real, em seu palácio, e depois para o filho -, para revelar que foi assassinado por Gertrudes, sua mulher, a rainha e mãe de Hamlet, amante de Claudio, seu próprio irmão. Gertrudes tramou a morte do marido, para que Claudio subisse ao trono e reinasse ao seu lado.
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Jean Wyllis, vaticinou em Portugal, onde esteve no início do mês para dar uma palestra: “Marielle vai derrubar Bolsonaro”. Tal como na peça de Shakespeare, a força do fantasma de Marielle assombra a república e joga luz sobre as ligações da família Bolsonaro e seu grupo de amigos de condomínio e de pescaria.
Marielle foi a quinta vereadora mais votada do Rio e tinha planos de concorrer ao Senado nas eleições passadas. Construiu um caminho viável para isto. Certamente seria eleita. Coincidentemente, este também era o plano de Flávio Bolsonaro, filho do presidente. O mesmo que no passado condecorou um dos envolvidos na morte de Mariellle, agora sabe-se, um miliciano. Hamlet conseguiu desmascarar e incriminar os culpados pela morte do rei, seu pai. Resta saber se Jean Wyllys, à distância, conseguiu ver o que há de podre abaixo do equador.
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