Opinião

Livro de receitas mostra um Brasil criativo. E é de graça

O livro mistura, ao longo de nove capítulos, receitas criativas e usando ingredientes locais, de mais de 30 autores de vários estados

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Acaba de ser lançado um livro de receitas bem interessante, a começar pelo título: “Isto não é (apenas) um livro de receitas”. “É um jeito de mudar o mundo”, diz o Instituto Comida do Amanhã, organizador do projeto em parceria com a Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e a Fundação Heinrich Boll, que no ano passado lançou o “Atlas do Agronegócio”.

Mais interessante ainda é que o livro é gratuito e pode ser baixado pela Internet.

O livro mistura, ao longo de nove capítulos, receitas criativas e usando ingredientes locais, de mais de 30 autores de vários estados, entre eles Na Ribeiro, Bela Gil, Bel Coelho, Gustavo Aronovick, Roberta Ciasca, Ronaldo Canha, Ciça Roxo, Teresa Corção, Tainá Marajoara, Casa Quilombê, We’e’ena Tikuna com artigos de especialistas de sistemas alimentares sustentáveis do país, representando instituições como Embrapa, Conservação Internacional, Unirio, Movimento dos Pequenos Agricultores, Comida Invisível e a Fundação Heinrich Böll.

Segundo os organizadores, “o livro se debruça sobre alguns dos maioresdesafios do sistema alimentar no Brasil, juntando saber com sabor, e buscando fazer perguntas de dentro da cozinha. Desperdício de alimentos, soberania alimentar e biodiversidade, empoderamento, alimentação infantil, pesca sustentável, são alguns dos temas que propomos um olhar mais atento e cuidadoso, para que possamos todos entender que três vezes por dia cada um de nós tem uma ferramenta poderosa de transformação disponível – o que comemos pode mudar nossa relação com o mundo”.

O livro é, acima de tudo, “um convite à ação, ao retorno à cozinha”.

“O que comemos, onde comemos, com quem comemos, como comemos sãodecisões profundamente sociais e políticas, em que todos somos, simultaneamente,, causa e consequência, protagonistas e vítimas”, diz Mónica Guerra da Rocha, fundadora e diretora executiva do Instituto Comida do Amanhã”. E ressalta: “Ao consumir um produto ultraprocessado, estou apoiando essa indústria e politicamente agindo na sua prosperidade; ao consumir um alimento orgânico direto do produtor, estou fortalecendo outra cadeia e apoiando ativamente um paradigma absolutamente diferente”.

Comunicação e comida

No texto de abertura do capítulo “Comida, tradição e sustentabilidade”, ajornalista Juliana Dias, criadora do curso de pós-graduação em jornalismo gastronômico da Facha (Faculdades Hélio Alonso), do Rio de Janeiro, procura traçar um paralelo entre a comida e a comunicação. “A comida entrelaça a cultura e a comunicação de um povo com seu território”, diz. “Tanto a comunicação quanto a alimentação estão ligadas à nossa humanidade; são, portanto, vitais. Preparar e compartilhar uma refeição pode ser uma forma de dizer: eu me importo com você”.

Os donos do sistema alimentar

Já no capítulo “Desafios da produção de alimentos”, a coordenadora deprogramas e projetos de justiça socioambiental da Fundação Henrich Böll Brasil, Maureen Santos, chama a atenção para o fato de que em todo o mundo o sistema agroalimentar vem sendo controlado por um pequeno número de empresas, que concentram todas as etapas, que vão desde a disponibilização de insumos, produção e armazenamento e distribuição. Como controlam 70% do mercado mundial de commodities agrícolas, essas empresas – Archer Daniels Midland (ADM), americana; Bunge, fundada na  Holanda, com sede nos Estados Unidos; Cargill, americana e Louis Dreyfus, holandesa – têm o poder de influenciar as escolhas alimentares e definir preços.

Especificamente no setor de processamento de alimentos, a coisa melhoraum pouco, mas, ainda assim é bem concentrado: 50 empresas controlam 50% do mercado agroindustrial.

O negócio é cozinhar

Mas, como eu digo sempre que posso, vamos par a cozinha.

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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