Manifestações: finalmente cai a primeira máscara

No troca-troca de máscaras das manifestações realizadas após a eleição de 2014, ao se retirar a primeira delas de forma efetiva, o golpismo apareceu de maneira reveladora

No troca-troca de máscaras das manifestações realizadas após a eleição de 2014, ao se retirar a primeira delas de forma efetiva, o golpismo apareceu de maneira reveladora
No troca-troca de máscaras das manifestações realizadas após a eleição de 2014, ao se retirar a primeira delas de forma efetiva, o golpismo apareceu de maneira reveladora (Foto: Corinto Meffe)
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Ao longo da história, as máscaras foram adotadas com os fins mais distintos, de acordo com a cultura e a religiosidade do povo que as utilizavam. A professora Ana Lúcia Santana, no Portal InfoEscola, diz que "geralmente elas permitiam o acesso a universos regidos pela imaginação ou a dimensões espirituais invisíveis". As máscaras também eram usadas pelos contadores de histórias para dar mais vida às suas narrativas e em peças teatrais. Mas elas se tornaram populares no Brasil em festas folclóricas, como o Carnaval, servindo como instrumento de ilusão, dissimulação e sátira.

No troca-troca de máscaras das manifestações realizadas após a eleição de 2014, ao se retirar a primeira delas de forma efetiva, o golpismo apareceu de maneira reveladora. Obviamente, ele estava presente desde o princípio da organização e realização dessas manifestações. Mas, os participantes do movimento sempre guardavam os reais objetivos com algumas dissimulações: o combate a corrupção, a defesa das cores brasileiras (usando roupa importada dos Estados Unidos), a recontagem de votos do último pleito, a fraude eleitoral e até a volta do regime militar.

No dia 12 que passou, ao sacudir de cada uma dessas máscaras, o que se observou foi uma parcela da população brasileira pedindo a destituição da presidente eleita pelo sufrágio universal, legalmente amparado na Constituição Federal e ratificado pelas instituições de direito. Não há nenhum indício de responsabilização direta da autal presidente nos casos de corrupção, contudo uma parte da população resolveu adotar essa bandeira, apostando no quanto pior melhor. O país passou anos com um dos indíces mais baixos de desemprego do mundo e o destaque dado por parcela da mídia sempre foi pífio. Agora a cada aumento do percentual de cidadãos sem trabalho existe uma comemoração visível dos principais telejornais do país.

Entretanto, a queda da máscara traz alguns problemas para manter a pauta de forma objetiva e sustentável. Esses grupos estão apostando que em algum momento a população de baixa renda estará engrossando o coro dos descontentes. Mas seria em torno de qual pauta? Uma senhora perguntou nesta semana pelas redes sociais: aonde estavam esses manifestantes que não batiam panelas quando o povo passava fome? O Brasil da fome, da falta de luz, das poucas oportunidades e dos subsalários, ficou no passado. Que pauta vai unir os dois grupos? A possibilidade seria no aumento do desemprego. Ou seja, para que a participação nas manifestações aumente, urge torcer contra o Brasil.

Um segundo problema, que já se torna mais visível, é que muitos políticos e celebridades que se colocam ao lado do movimento têm casos de corrupção sendo investigados ou estão na lista do banco HSBC. Este caso, no mínimo, expõe uma evasão fiscal que deixa qualquer caso de corrupção no chinelo. Então teremos um pedido de destituição do cargo máximo do executivo nacional realizado por pessoas que estão envolvidas em escândalos de corrupção? Será que alguns deputados tem integridade moral para solicitar tal pedido?

Alguns outros problemas poderiam ser listados, mas o golpismo gera uma contradição sem precedentes na história, pois os cidadãos que empunham bandeiras e faixas com o pedido de "impeachment", faz pouco tempo alardeavam sobre os riscos de um governo "de esquerda" realizar um golpe contra a democracia. Alguns chegaram a ensaiar que o governo petista queria rasgar a Constituição. Pelo menos agora temos clareza de que 77% dos manifestantes (segundo o próprio Datafolha), querem rasgar a nossa Carta Magna pela força.

O comportamento dos manifestantes revela que a segunda máscara a cair será da hipocrisia. Os hipócritas se fingiam ao lado da religião Cristã, mas na verdade não praticavam aquilo que pregavam. Em nosso caso, os hipócritas diziam que o governo atual poderia dar um golpe nas instituições – nos meios de comunicação, nos outros dois poderes e nas empresas privadas – cerceando a democracia, mas pelo jeito são os manifestantes hipócritas que estão empunhando a bandeira do golpismo de fato. A primeira máscara já caiu!

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