Nem Moro salva o chato pidão de propinas

Nada do que ele diga ou faça, porém, impedirá a sua queda, pois afora a Folha e o Estadão e os seus cúmplices no Congresso, ninguém mais o segura, já que até a Globo, que era seu grande sustentáculo, tirou a escada e o deixou segurança no pincel

(Brasília - DF, 15/05/2017) Presidente Michel Temer durante entrevista para o programa Frente a Frente da Rede Vida. Foto: Marcos Corrêa/PR
(Brasília - DF, 15/05/2017) Presidente Michel Temer durante entrevista para o programa Frente a Frente da Rede Vida. Foto: Marcos Corrêa/PR (Foto: Ribamar Fonseca)

Dizia-se, até recentemente, que a delação da Odebrecht seria um apocalipse, que derrubaria o governo Temer e a cúpula da política nacional. Perto da JBS, no entanto, a delação da Odebrecht não passou de um leve tremor de terra. Quase nada mudou depois que Marcelo, o pai e executivos da empresa familiar abriram a boca (Temer continuou tocando as suas reformas com tranquilidade), mas agora, depois das gravações e da delação de Joesley Batista, o mundo veio mesmo abaixo. Apesar de ganhar uma curta sobrevida com a tese da edição das gravações, surpreendentemente levantada pela Folha de São Paulo e encampada pelo Estadão, Temer não conseguirá manter-se por muito tempo agarrado ao poder como parasita vegetal. Somente os seus comparsas no golpe que destituiu Dilma Rousseff da Presidência da República, como os tucanos e "democratas", ainda permanecem do seu lado, muito mais preocupados em salvar a própria pele do que com os destinos do país.

Com os seus pronunciamentos, longe de exorcizar o fantasma da derrocada, Temer mais se enrola, porque confirma o encontro noturno e a conversa com Joesley Batista, e irrita a população, que já não consegue nem olhá-lo na TV. Por mais incrível que possa parecer, no entanto, mesmo rejeitado por mais de 90% do povo, que pede sua saída imediata do Planalto e eleições diretas já, ele ainda consegue comer uma feijoada com os comparsas no Palácio da Alvorada, em meio ao terremoto provocado pela JBS. E o cinismo dele parece mais acentuado quando se diz, por exemplo, vítima de uma conspiração. Para um reconhecido conspirador, que traiu a companheira de chapa junto com seus ministros, dizer-se vítima de conspiração é uma piada sem graça. Nada do que ele diga ou faça, porém, impedirá a sua queda, pois afora a Folha e o Estadão e os seus cúmplices no Congresso, ninguém mais o segura, já que até a Globo, que era seu grande sustentáculo, tirou a escada e o deixou segurança no pincel.

Resta saber, agora, quem a Globo tentará colocar no seu lugar, contando com os votos dos parlamentares corruptos, os mesmos comprados para aprovar o impeachment de Dilma, numa eventual eleição indireta. Já estão falando no nome de Henrique Meireles, o seu ministro da Fazenda, para substitui-lo, mas isso seria um escárnio, o mesmo que trocar seis por meia dúzia, legitimando as reformas destruidoras. Nem pensar. A ministra Carmem Lucia, pelo fato de ser presidente do Supremo Tribunal Federal também não seria a solução, pois até hoje ela não disse a que veio como chefe do Poder Judiciário. A melhor solução, mesmo, é a realização imediata de eleições diretas, devolvendo ao povo o direito, assegurado pela Constituição Federal, de escolher os seus governantes. A aprovação de uma Emenda Constitucional antecipando o pleito, no entanto, considerando a composição do Congresso, recheado de corruptos cúmplices do golpe, não será uma decisão fácil, sobretudo porque as pesquisas de intenção de votos já apontaram Lula como virtualmente eleito. Por isso, os adversários dele vão fazer tudo para impedi-lo de concorrer. O povo, porém, não vai sair das ruas.

A Globo, que se apresenta como uma das maiores adversárias do ex-presidente operário, aproveitou a delação da JBS para retomar o massacre contra ele, mas a inconsistência da acusação contra Lula e Dilma é tão visível que os Marinho terão de encontrar outra coisa. Joesley disse que havia duas contas no exterior dos dois ex-presidentes petistas com 150 milhões de dólares. Ocorre que as contas estavam no nome dele, Joesley. Como é que vão provar que Lula e Dilma movimentavam uma conta que não era deles? Além disso, o dono da JBS disse que esteve com os dois presidentes para confirmar se era eles mesmos que estavam usando o dinheiro e que, no encontro com Lula, depois de informa-lo que os dólares estavam acabando, não ouviu dele uma só palavra. O ex-presidente, segundo ele, ficou apenas olhando-o em silêncio. Não parece esquisito? Quer dizer que Lula não disse nada e, então, ele se levantou e foi embora sem que os dois trocassem uma palavra? E no encontro com Dilma, ela também não disse nada? Essa história, evidentemente, está muito mal contada, revelando-se mera tentativa de envolver os dois ex-presidentes.

Quanto a Aécio Neves, esse está atolado até a raiz dos cabelos. Além de um chato pidão de propinas, como disseram a Odebrecht e a JBS, o mineirinho também tramava o fim da Lava-Jato e acabou envolvendo, num telefonema grampeado pela Policia Federal, o seu amigo e correligionário Gilmar Mendes, que agora corre o risco de também ser impichado. Apesar do esforço dos seus colegas do Senado para salvá-lo, inclusive com uma possível desobediência à determinação do STF para afastá-lo, Aécio parece condenado a perder o mandato com o risco de prisão. Depois de tudo o que ele disse, conforme as gravações de Joesley, e os dois milhões em parcelas de 500 mil, cuja entrega foi filmada pela Policia Federal, ele dificilmente conseguirá escapar da Justiça, apesar da sua amizade com o juiz Sergio Moro. Se ele for preso os dois terão bastante tempo para dar prosseguimento ao animado e sorridente bate-papo de outro dia, flagrado por atentos fotógrafos. E João Dória poderá levar para ele os chocolates que reservara para Lula.

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