Notícias de jornal



Das muitas notícias de jornal dos últimos dias vimos, por exemplo, que a revista Time escolheu a personalidade do ano de 2021. A premiação ocorre desde 1927, quando o aviador Charles Lindbergh foi escolhido a personalidade daquele ano. Para a tristeza de muitos “robôs” aqui embaixo, o escolhido de 2021 foi outro. Porém, não muito diferente. Homem branco e bilionário, a mais nova personalidade da Time tem, entre outras milhares de certezas, que jamais será sufocado até a morte por um policial branco nas ruas da “maior democracia do mundo”. O “João gostoso”, não aquele do poema do Manuel Bandeira, mas aquele que fará companhia a Hitler e Stalin na lista da referida revista, nunca trabalhou como carregador de feira livre, nem morou num morro chamado Babilônia, num barracão sem número. Se bebe, canta ou dança; não se sabe.  

O que se sabe muito bem é que no ano de 2020, Elon Musk, a personalidade do ano de 2021, da Time, recebeu um tweet que dizia: “Você sabe o que não interessa às pessoas? O governo dos EUA organizando um golpe contra Evo Morales na Bolívia para que você possa obter lítio lá”. Em resposta, o bilionário disse: “Vamos dar golpe em quem quisermos! Lide com isso”. O destempero do senhor Musk se deu (será que ele também toma dois Lexotan na veia por dia?), tendo em vista que as baterias dos carros que produz necessitam do lítio que abunda na Bolívia. Assim, a continuação de Morales no comando do país impediria que a Bolívia tivesse seu lítio saqueado. O que se deu, todos nós sabemos.Seguindo, o jornal The Guardian, na sua edição do dia 15, trouxe uma lista de livros denominada “Livros que explicam o mundo”. Trata-se de uma lista elaborada pelos escritores do jornal, na qual compartilham leituras do ano. Entre os tantos livros citados, há Lula and his politics of cunning: from metalworker to president of Brazil, de John D French. Certamente, que não é o livro de French que ajuda a explicar o mundo, mas os posicionamentos políticos do biografado. Ressalte-se que, enquanto a mídia corporativa brasileira tenta esconder e silenciar Lula, o resto do mundo o recebe, abraça-o e o compreende como o grande líder político que é. Nada de novo no front, quando esta mesma mídia insiste na sua produção em série de ídolos com pés de barro, incapazes de se sustentarem ao mais tênue dos ventos.

A desgraça política imposta a este país não tem sido capaz de fazer com que a burguesia escravagista desista dos planos de manter o povo atado às mais variadas formas de atraso e violência às quais submeteu a nação. Nem mesmo as mortes das mais de 600 mil pessoas fazem os donos do poder mudar de planos. Há um descaso com a vida do povo brasileiro nunca visto na história, como mostram os resultados da pesquisa da Rede de Observatórios de segurança publicados na terça-feira, dia 14, que analisou os números das secretarias de segurança de sete estados brasileiros: Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo.

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Os resultados divulgados mostram que os negros são a maioria dos mortos em ações policiais. É estarrecedor que a cada quatro horas uma pessoa negra seja assassinada em ações policiais. Os dados se referem aos estados citados, com exceção do Maranhão, onde não se acompanha a cor das pessoas vitimadas pela violência, o que, para a Rede, se constitui como “uma outra forma de racismo estrutural”. A pesquisa comprovou que das 2.653 pessoas mortas em ações policiais, 82,7% eram negras. No caso do Ceará, como noticiou o jornal Diário do Nordeste do dia 14 de dezembro, “todos os mortos identificados em ações da polícia em Fortaleza eram negros”. Os dados mostram que há um extermínio em curso. Até quando a sociedade continuará impassível?

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Os jornais também registraram a morte da escritora bell hooks (com minúsculas), uma das autoras mais relevantes do nosso tempo. Hooks partiu no último dia 15, deixando uma produção imensa sobre temas como gênero, racismo, feminismo, cultura e política. A leitura de hooks é indispensável para se compreender muito do que mostram os resultados da pesquisa citada, bem como a contemporaneidade como um todo. Não há mais espaço para a dor, assim como também não há mais tempo para silêncios.

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