O fascismo jurídico, o golpe, a conjuntura, Lula, “Nós e Eles”

O "Nós e eles" não é, como insinuam e acusam, uma manifestação de sectarismo subjetivista de Lula, muito menos um exercício de retórica, nem o retorno a posições isolacionistas. É a expressão de uma realidade objetiva e da correlação de forças no Brasil do golpe

O "Nós e eles" não é, como insinuam e acusam, uma manifestação de sectarismo subjetivista de Lula, muito menos um exercício de retórica, nem o retorno a posições isolacionistas. É a expressão de uma realidade objetiva e da correlação de forças no Brasil do golpe
O "Nós e eles" não é, como insinuam e acusam, uma manifestação de sectarismo subjetivista de Lula, muito menos um exercício de retórica, nem o retorno a posições isolacionistas. É a expressão de uma realidade objetiva e da correlação de forças no Brasil do golpe (Foto: José Reinaldo Carvalho)

Os veículos monopolistas da mídia em mãos de proprietários privados a serviço dos interesses do capital financeiro-monopolista, do imperialismo e do golpe que conduziu o reacionário e soturno Michel Temer ao poder, acham que descobriram a fórmula de desqualificar o demolidor pronunciamento de Lula da última quinta-feira (15), quando rebateu o fascismo jurídico representado por Moro, Janot, Dallagnol et caterva: "Lula voltou a ser o que era"; "Lula foi Lula"; "Falou para os seus", "Bateu na tecla do 'nós e eles'".

Na contramão, considero que o "Nós e eles" só enaltece o Lula e é a única fórmula capaz de defender seu legado, compactar o PT, o conjunto da esquerda e as forças antigolpistas.

O "Nós e eles" não é, como insinuam e acusam, uma manifestação de sectarismo subjetivista de Lula, muito menos um exercício de retórica, nem o retorno a posições isolacionistas.

É a expressão de uma realidade objetiva e da correlação de forças no Brasil do golpe.

Desde a campanha eleitoral de 2014, formou-se no país um "Nós e eles", em que de um lado se postavam as forças da democracia, do progresso social, do desenvolvimento, da soberania e da integração regional solidária, e do outro, uma coalizão de forças retrógradas, lideradas pelo PSDB, DEM, PPS, PSB, e demais satélites.

A partir da eleição à presidência da Câmara, em 2015, esta coalizão reacionária foi reforçada por parte substancial do PMDB e do PSD. Com a emergência das manifestações de rua instrumentalizadas pela direita e a mídia exigindo a deposição da presidenta Dilma, e a aceitação do pedido de impeachment por Eduardo Cunha, passou a evidenciar-se o jogo duplo de outros setores peemedebistas e do PSD, cada um – Michel Temer, Renan Calheiros e Gilberto Kassab, com seus interesses e tempo próprios.

O resultado final do impeachment e a formação do governo usurpador, golpista e ilegítimo de Temer revelam a configuração atual do "Nós e eles". A formação do bloco "d´Eles" não exclui que entre "Eles" haja contradições, que podem resultar em conflitos, dissenções, chantagens mútuas (porque é normal que entre bandos se utilizem todos os meios e recursos iníquos), que podem desembocar em graves crises políticas, que sem dúvida "Nós" podemos e devemos explorar como reserva secundária estratégica. Mas este não é o principal aspecto da nossa luta. Não se justifica que apoiemos um bando contra o outro, porquanto estão unidos na consolidação do golpe e na execução de sua agenda antinacional e antipopular.

Lula, com a sabedoria que adquiriu na vida e na aturada experiência política, certamente aprendeu que o centro-direita, quando se alia à esquerda, não perde sua perspectiva direitista, já a esquerda, se se alia à direita, ainda que fantasiada de centrista, pode perder a identidade e deixar de ser de esquerda. Nunca é tarde para fazer autocrítica, o que corresponde não só a Lula e a Dilma, mas a todos os partidos de esquerda que formaram sua base essencial de apoio.

Em recentes eventos em Portugal e na França (respectivamente a Festa do Avante, do PCP, e a Festa do Humanité, do PCF), representando o PCdoB ao lado de credenciados representantes do PT e do MST, diante de um público solidário e inquieto, insistimos na opinião de que no Brasil se formou não apenas um novo governo, mas um novo regime, em que confluem os interesses de uma coalizão reacionária liderada por Temer, e integrada pelo PMDB, PSDB, DEM, PSD, PSB, PPS e Centrão, em que, além de Temer e seus asseclas mais diretos, desempenham papel protagonista lideranças como Renan Calheiros, José Serra, Aécio Neves, Rodrigo Maia e Gilberto Kassab.

Impõe-se, assim – e foi o que defendemos nesses eventos – a luta pela derrubada desse regime, a defesa dos direitos sociais e políticos do povo brasileiro ameaçados pelas medidas antissociais e antinacionais já propostas na agenda do governo e de seus aliados na Câmara e no Senado.

Como opção estratégica, preconizamos a organização do campo democrático, popular e anti-imperialista, uma frente ampla das forças de afinidade de esquerda, progressistas, democráticas, populares, patrióticas, tendo por núcleo a esquerda, a partir das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com o ativo protagonismo e unidade do PT e do PCdoB, coalizão na qual é indispensável o exercício da liderança de Lula e Dilma. Fator preponderante é a mobilização popular, desde as pequenas reivindicações locais e específicas até as grandes manifestações de rua.

Seria também importante que tais partidos alcançassem juntos vitórias eleitorais nas municipais deste ano, infligindo derrotas aos partidos golpistas. Como demonstram as condutas de Fernando Haddad, Jandira Feghalli, Alice Portugal e Raúl Pont, não existem eleições municipais restritas ao âmbito local. Para forças de vanguarda, estas são sempre eleições nacionalizadas, sua mensagem e as alianças que nelas se concertam têm preferencialmente sentido nacional.

Esta campanha eleitoral, a luta entre "Nós e Eles" e os vetores da solidariedade internacional convencem-me ainda mais de que tanto quanto o esquerdismo é a enfermidade infantil das forças políticas progressistas e revolucionárias, o oportunismo de direita é a doença da sua senilidade.

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