O fetichismo da esquerda pelo fascismo e os equívocos que isso causa

"Agora, as esquerdas criaram uma nova moda, o fetichismo pelo fascismo. Para derrotar o fascismo vale tudo, bem como é justificativa para tudo", escreve Marcus Atalla

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Bolsonaro e Trump não são causas, são consequências.

E é essa busca maniqueísta por vilões que faz a esquerda brasileira errar em seus diagnósticos e, portanto, tomar decisões equivocadas se afastando ainda mais dos eleitores.

O mundo e o Brasil não se tornaram mais fascistas do que já eram.  

Na realidade, há um colapso do sistema democrático liberal em todo mundo. Cada vez menos pessoas se sentem representadas pela política. Não têm suas necessidades atendidas. Há uma visão do sistema político como corrupto.

Um estudo feito em 2016 pelo Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDE) constatou um aumento gradativo de pessoas desistindo de votar em todo o mundo. O IED alerta que "na taxa atual, há o risco de as eleições deixarem de ser uma ferramenta fundamental da governança democrática”.

Pesquisas realizadas com a população em todo o globo, salientam ainda mais a falta de confiança nos governos de seus países.

O que demonstra a falta de legitimidade das democracias liberais inclusive em países com tradição democrática.

A esquerda cega e a extrema direita que vislumbra o longe

O que o povo sabe é que não quer mais o sistema atual. Por outro lado, não sabe o que colocar no lugar. A extrema direita identificou o desejo da maior parte da população mundial.

Bolsonaro e Trump se colocam como antissistema.  Prometem uma ruptura e mudanças no sistema atual.  A extrema direita identificou o desejo da maior parte da população mundial, fala o que as pessoas querem ouvir.

Já a esquerda, ao invés de defender uma ruptura e propor um aprofundamento da democracia, insiste em defender um sistema esgotado, que ninguém mais quer, ninguém mais confiança.

No entanto, os partidos de esquerda permanecem defendendo essa democracia em abstrato. Na visão da população é defender o sistema atual.

O resultado é a adesão a quem afirma trazer mudanças. A popularidade de Bolsonaro e Trump são exemplos claros disso.

Os progressistas, para justificar a vitória da extrema direita pelo mundo, responsabilizam as fake news. Acreditar que os resultados eleitorais se devem apenas a elas, é uma simplificação.  A esquerda se institucionalizou, parou de ouvir os gritos das ruas.

Tornou-se mais fácil culpar a população por deixar-se enganar, pois são simplórios e ignorantes, do que admitir o colapso do sistema democrático. Assim, nenhuma luta precisa ser travada por mudanças.  

Fica tudo como está e se retira parte da responsabilidade da esquerda por ter perdido sua ligação com a população. O “precisamos voltar às bases” permanece só na retórica.

 A esquerda se carimba na testa: Sou do Sistema

Agora, as esquerdas criaram uma nova moda, o fetichismo pelo fascismo. Para derrotar o fascismo vale tudo, bem como é justificativa para tudo.

Um sofismo foi criado, o de que o fascismo foi derrotado, na década de 40, por uma união entre todos os campos políticos.

Não foi uma união política parlamentar eleitoral que derrotou o fascismo, foi uma aliança militar entre países, com direito a guerras e milhões de mortos. O que é muito diferente de uma união parlamentar e jogos palacianos por cargos em comissões.

Não será uma aliança parlamentar que irá combater o fascismo brasileiro, será com a conquista de mentes e mobilização da sociedade.

A criação da tal Frente Ampla funcionará justamente de forma contrária, só restará Bolsonaro com o discurso do antissistema. O fascismo estará livre para permanecer usando o descontentamento popular como força.

Depois de 13 anos de governo, o PT ainda é visto como parte do que está aí, mas ao contrário de se mostrar oposto ao atual, a esquerda corre para os braços do sistema.

Agora, a grande solução contra o fascismo é uma aliança com o Baleia Rossi (MDB, pupilo de Temer).

Há quem diga que a população não saberá dessa aliança. Isso poderia ser verdade há 10 anos atrás, hoje não é mais. Os memes com suas frases de efeitos e fotos, junto a imprensa corporativa se incumbirão de espalhar ao eleitorado.

A esquerda escolheu as eleições de 2022 como campo de batalha para derrotar o golpe e o fascismo, portanto, deve focar nas consequências de seus atos para as eleições.

De que modo o PT irá convencer os eleitores de que não faz parte desse sistema, se está junto ao DEM, MDB, PSDB, PP etc. Como chegará para dizer que foi um golpe, se logo depois, se uniu a quem lhe golpeou.

Essa cegueira do PT, abrirá a passagem do fascismo para a reeleição. Deixa a esquerda ainda mais dependente do Lula em 2022. Apenas Lula consegue alcançar o lado emocional da população.

O embate nas eleições de 2022 será entre sistema e antissistema, e a esquerda não vem se preparando para isso.

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