Entrevistei o Zé Celso inúmeras vezes. Eu e a torcida do Flamengo. É mais fácil contar nos dedos quem não o entrevistou do que quem o entrevistou. Era um excelente entrevistado porque falava muito, sem autocensura e sempre sobrava alguma declaração escandalosa.
Eu o convidei para um programa que eu apresentava na allTV chamado Plantão da Meia-Noite. Ao vivo. O estúdio da primeira TV na internet do Brasil ficava pertinho do seu apê, no Paraíso. No endereço em que funcionou a produtora de Goulart de Andrade. Também próximo à sede do DOI-Codi, um dos centros de tortura da ditadura de 64.
Não me lembro mais se para responder a alguma pergunta minha, ou durante um de seus monólogos sobre as eleições de 2006 – ele iria votar em Lula, é claro – ele disse, para minha surpresa, o seguinte:
“Eu tenho tesão no Geraldo Alckmin. Mas acho que não serei correspondido”. Alckmin era candidato a presidente contra Lula.
Aí um telespectador mandou a seguinte pergunta: “O senhor é homossexual”? Irritado, Zé Celso respondeu: “Eu sou um homem sexual. Eu gosto de comer cu de homem”!
A entrevista continuou normalmente. No fim, eu o deixei na casa dele, a dois quarteirões, o prédio de esquina que ficou tristemente conhecido pelo incêndio em que ele morreu, há quatro dias.
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