O Império da Guerra

Em quanto houver um Império nesse planeta, a paz será um sonho muito distante. Sem exagero é possível afirmar que nestas condições a paz é um sonho inalcançável

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De onde vem todo poder e riqueza do Império Norte-Americano? A resposta a esta pergunta é óbvia. Vem das guerras que ele trava continuamente no planeta. A paz nunca foi o negócio do Império. A guerra é sua linha principal de ação desde que o Império consolidou o seu domínio hegemônico. Não é a toda que por ano são gastos centenas de bilhões de dólares no Complexo Industrial Militar estadunidense. As guerras não são necessariamente “quentes”, como vimos no caso da “Guerra Fria” que durou até a queda da União Soviética. Mas, além disso, muitas outras guerras também são travadas e arquitetadas continuamente pelo Pentágono e pelas Agências de Inteligências comandadas pela NSA.

Uma destas guerras é a Guerra Cultural. Ela é contínua. Não dá um segundo de intervalo. Ela é o poderoso e eficiente “Soft Power” do Imperialismo. Seduzindo constantemente todos que estão sob a sua influência no planeta. Notem bem quem já foram os inimigos do Imperialismo nos filmes de Hollywood:

- Já foram os índios nos “Bang Bang”. E assim justificaram o genocídio dos povos originários da América do Norte e a expropriação de suas terras.

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- Já foram os alemães e japoneses. Para parecer que a vitória na 2.ª Guerra Mundial se deveu somente a atuação norte-americana, as vitórias do Exército Vermelho Soviético em Stalingrado e na Queda de Berlim geralmente nem são citadas.

- Já foram os espiões russos da KGB na Guerra Fria. Esta foi uma forma de deflagrar a ideologia anticomunista aos quatro ventos.

- Já foram os traficantes na Guerra as Drogas, a qual tinha como propaganda o combate as drogas e como objetivo a desestabilização da América Latina.

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- Já foram os terroristas na Guerra ao Terror, a qual tinha como aparência o combate ao terrorismo e como objetivo a destruição dos opositores no Oriente Médio e a espoliação de seu petróleo.

E não é que surgiu agora um novíssimo inimigo! Os chineses. O que pode ser constatado facilmente com a refilmagem do clássico dos Anos 80 Karatê Kid, onde o inimigo do protagonista é um chinês. Karatê Kid? Não teria sido melhor Kung Fu Kid neste caso? Também pode ser visto este novo inimigo no documentário Indústria Americana, o qual foi ganhador do Oscar e não por coincidência foi produzido por Barack e Michelle Obama.  E não se espantem, pois, a partir de agora vocês verão muitos documentários e filmes colocando os chineses como um povo que desrespeita os direitos humanos e coisas do tipo. Tudo isso devido à Guerra Comercial que foi deflagrada contra a China pelo Império. O que muitos costumam chamar de Guerra Fria 2.0.

A técnica é sempre a mesma. O norte-americano é aquele que veio ao mundo para transforma-lo em um local onde todos terão o direito ao “American Way of Life”. Mas o que vemos é bem diferente do prometido. Basta o sistema político do país diferir do deles — como são os casos de Cuba e da Venezuela — que os EUA fazem guerra contra este país.

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Hoje fica fácil de compreender o porquê Deng Xiaoping declarou que os chineses nunca iriam fazer com Mao a mesma coisa que os soviéticos fizeram com Stalin. Ele tinha consciência que a desestabilização de um país começa através da Guerra Cultural. Assim sendo, os chineses não deram brecha para que a Máquina de Guerra Cultural dos EUA tirasse vantagem das divergências que pudessem haver entre Deng e Mao.

Vimos recentemente um outro tipo de guerra que está em voga. As chamadas Guerras Híbridas. Aqui na América Latina vimos este tipo de guerra sendo feita através da Guerra contra a Corrupção, a qual foi utilizada para desestabilizar nosso país — através da operação criminosa chamada Lava Jato — e também outros países da América Latina. Através da Lei sobre Práticas de Corrupção no Exterior (Foreign Corrupt Practices Act – FCPA) todos os países com ações em Wall Street passaram a estar sobre a jurisdição dos Estados Unidos da América, dessa forma eles se tornaram um tipo de “xerife” do mundo. Aliado a isso, o uso das redes sociais para mobilizar a população contra o seu próprio governo é uma poderosa arma utilizada de forma eficaz nesta categoria de guerra. Uma avalanche de “Fake News” é lançada nas redes sociais contra o governo do país que visam desestabilizar. Aqui cito a estratégia chinesa de ter suas próprias redes sociais, evitando assim que sofram este tipo de ataque.

Mas as Guerras Híbridas não são tão novas assim. Nova é a identificação desta guerra. Podemos ver claramente que ele foi usado para desestabilizar a Guatemala em 1954 e consequentemente veio o golpe de estado onde entrou um novo governo alinhado com os interesses dos EUA. Toda esta ação foi arquitetada pela CIA e teve a importante participação de Edward Bernays, um pioneiro austro-americano no campo das relações-públicas e da propaganda e ao que tudo indica foi ele o criador e inspirador desta nova forma de conflito. Muitos outros exemplos de guerras híbridas que ocorreram podemos citar, como é o caso da Primavera Árabe, o Euromaidan, as manifestações em Hong Kong, o Brexit, as Jornadas de Junho no Brasil, e recentemente os protestos em Cuba. Todos estes ataques foram feitos com a intensão da desestabilização de países ou de continentes. Os EUA sempre buscando manter a hegemonia mundial, mesmo que para isso muitos tenham que sofrer e perecer. A busca do Império da Guerra é sempre a mesma: “Dividir para conquistar”, o que a proposito foi a cartilha pregada pelo ex-Secretário de Estado Henry Kissinger durante toda a sua carreira política.

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E notem bem, o governo dos EUA acusam outros países de tráfico e, ao mesmo tempo, a CIA já se utilizou da produção de ópio no Afeganistão para financiar as suas operações. Acusam outros países de ter armas químicas e usou o Efeito Laranja, o qual provoca ainda hoje câncer e malformações físicas e mentais no povo do Vietnã. Acusam seus opositores de produção de armas de destruição em massa e jogou bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, matando mais de 210 mil pessoas. Faz sanções para desestabilizar economicamente e politicamente países — como é o caso de Cuba e Venezuela — o que faz com estes entrem em profundas crises sociais, condenando as populações destes locais a pobreza. E assim acusam os governos destes países de não respeitarem os direitos humanos de seus cidadãos. Ou seja, eles fabricam as crises nos países e colocam a culpa das crises nos seus governos, como se nada tivessem a ver com isso. Aí então invadem estes locais dando a desculpa do Imperialismo Humanitário. Prometem com isso restabelecer a democracia e os direitos humanos do povo. Mas nada disso vemos realmente acontecer. Roubam suas riquezas, colocam no poder um governante alinhado com seus interesses, deixam no caminho um rastro de morte e destruição, e nada mais.

A cultura “pop” norte-americana sempre foi utilizada como uma poderosa arma para seduzir mentes e corações, e o pior de tudo, o “Soft Power” do Império é tão poderoso que é comum vermos pessoas acreditando que os EUA são os paladinos da justiça que lutam para que o planeta tenha uma vida de paz, amor e prosperidade. O que aparenta ser uma Síndrome de Estocolmo, onde a vítima se apaixona por seu algoz, já que o que vemos é um mundo cada vez mais desigual, com diversas guerras sendo deflagradas pelo Império em todos os cantos da Terra em prol da riqueza de poucos e da miséria de muitos.

Em quanto houver um Império nesse planeta, a paz será um sonho muito distante. Sem exagero é possível afirmar que nestas condições a paz é um sonho inalcançável.

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