O outro lado da “Vaza-Jato”

Muitos companheiros da esquerda continuam a acreditar que iremos resistir (mas também avançar) dentro da lógica do capitalismo. A Vaza-Jato vai nos ajudar a analisar e interpretar essa conjuntura política para uma narrativa histórica, mas não será por meio delas que iremos derrotar essa burguesia escravocrata e exploradora

Caros leitores, peço imensas desculpas se estou a ir na contramão dos acontecimentos. Ainda rescaldo da entrevista do brilhante jornalista Glenn Greenwald - no programa Roda Viva - que se dispôs novamente a dar uma aula de como se faz jornalismo investigativo. Entretanto, pude observar um comportamento reiterado de grande parte da esquerda brasileira, o qual me deixa cada vez mais intrigado. 

Antes de prosseguir quero ressaltar que o trabalho que o The Intercept Brasil (TIB) tem realizado é da maior relevância, a fim de clarificarmos os fatos políticos mais importantes da história nossa recente. Certamente a linha editorial do TIB é progressista em vários sentidos, mas não é anticapitalista ou radical. Por outras palavras, Greenwald em nenhum momento coloca em causa as regras da “democracia liberal”, apenas, diz defender o estado-democrático-direito, ou seja, um liberal progressista à moda norte-americana. Contudo, isso não diminui a sua coragem e a magnitude do seu trabalho. Um profissional coerente com os seus valores. 

Sinto muito, mas nós não podemos ficar na esperança de um evento “salvador” para que possamos agir contra todo o retrocesso que a classe trabalhadora tem sofrido todos os dias. Esse é o ponto central, nós temos que nos organizar enquanto coletivo a fim de encontrarmos formas de rompermos com esse sistema explorador e opressor. Lula só irá sair daquela masmorra o dia em que nos organizamos enquanto classe trabalhadora e tomarmos o poder em nossas mãos. Não custa relembrarmos, a justiça/direito, as instituições, o Estado pertence a burguesia e tais irão defender os interesses dos mesmos. O que nos sobram são migalhas para que as contradições da atroz exploração não apareceram com tanta força. 

O motivo que me deixa intrigado é que muitos companheiros da esquerda continuam a acreditar que iremos resistir (mas também avançar) dentro da lógica do capitalismo. Noutros termos, supõem que pelo reformismo e a conciliação de classe vamos interromper a brutal espoliação da classe trabalhadora no Brasil. A Vaza-Jato vai nos ajudar a analisar e interpretar essa conjuntura política para uma narrativa histórica, mas não será por meio delas que iremos derrotar essa burguesia escravocrata e exploradora. 

Abaixo deixo uma sugestão de vídeo no qual o professor Clóvis de Barros Filho, explica de forma muito didática o que é dominação ideológica de classe.

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